Documentário "No Intenso Agora" é uma brilhante representação de nossa sociedade atual - Cultura e Variedades - A Notícia

Versão mobile

Coluna de Cinema09/11/2017 | 14h00Atualizada em 09/11/2017 | 14h00

Documentário "No Intenso Agora" é uma brilhante representação de nossa sociedade atual

Filme do diretor João Moreira Salles provoca a reflexão sobre a compreensão do passado e o ciclo vicioso que vivemos.

Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

clickfilmes@yahoo.com.br

 

no intenso agora, documentário de joão moreira salles. revolução cultural na china de 1966
Cena do documentário "No Intenso Agora", do diretor João Moreira SallesFoto: videofilmes / Divulgação

A sensação após assistir a um filme como No Intenso Agora é a de carregar toneladas de cimento nas costas. Mantida como uma narrativa de observação do início ao fim, o diretor João Moreira Salles deixa as filmagens caseiras dizerem mais do que o monólogo deprimido do narrador. É fácil se identificar com o momento em que se fala que a ideia de um movimento sem líderes é bonita ou de que uma manifestação que havia iniciado contra uma universidade retrógrada teve seu discurso desvirtuado para outra coisa. Afinal, criando paralelos com contextos históricos, Salles provoca a reflexão sobre a nossa compreensão do passado e o ciclo vicioso que vivemos.

O ponto de partida do autor são as filmagens de sua mãe, durante uma viagem que fez para a China na época do regime autoritário de Mao. O diretor encontrou essas filmagens 40 anos depois delas terem sido feitas pela primeira vez. "Essas imagens amadoras", diz o narrador, "não foram feitas para a história, elas são apenas as sobras de um momento na vida". Mas ao se aproveitar de momentos distintos da mesma década de 60, com um catálogo propositalmente seletivo, Salles nos aponta o caminho: o que nos fez chegar até aqui.

Carregando similaridades com outro documentário primoroso lançado no ano passado, Hypernormalisation, No Intenso Agora só é muito mais sutil que o inglês. Ele indica nossa realidade sem que precise explicar que está falando dela porque conhecemos os discursos franceses vazios da época, como quando De Gaulle fala sobre o funcionamento das instituições e que o futuro não pertence mais ao povo, mas à política. Salles também assinala outra coisa que o documentário de Adam Curtis também levanta: a rebeldia sendo apropriada pelo comércio. Como a experiência radical pode ser comprada ou vendida, conforme a necessidade de manipulação.

De certa forma, No Intenso Agora é uma representação sucinta do sentimento atual de nossa sociedade. Uma expressão deprimida do que nos envolveu antes e nos envolve agora: a observação passiva. 

Trailer

Leia mais:

Veja 5 filmes que estreiam nos cinemas catarinenses nesta quinta-feira

Conheça o Embarcação, lugar para experiências poéticas e debates artísticos contemporâneos






Siga A Notícia no Twitter

  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaCentro de Bem-estar Animal de Joinville é interditado temporariamente https://t.co/KOKMDlVxeZ #LeianoANhá 11 minutosRetweet
  • anonline

    anonline

    Jornal A NotíciaPolícia apreende suspeitos com drogas e atestados médicos em Joinville  https://t.co/CGTkW4jpkx #LeianoANhá 3 horas Retweet

Veja também

A Notícia
Busca