Simone Gehrke: "Estudos mostram que cerca de 50% da população não conseguem se habituar ao horário de verão" - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica17/10/2017 | 08h00Atualizada em 17/10/2017 | 08h00

Simone Gehrke: "Estudos mostram que cerca de 50% da população não conseguem se habituar ao horário de verão"

Jornalista fala sobre a dificuldade que muitas pessoas têm de se adaptar ao horário de verão

Simone Gehrke: "Estudos mostram que cerca de 50% da população não conseguem se habituar ao horário de verão" CHICO MAURENTE,DIVULGAÇÃO/CHICO MAURENTE,DIVULGAÇÃO
Foto: CHICO MAURENTE,DIVULGAÇÃO / CHICO MAURENTE,DIVULGAÇÃO

Acordei com a incômoda sensação de perda de quem foi vítima de um furto no meio da noite.

— Faça um boletim de ocorrência; mesmo que o objeto roubado não seja devolvido, você ficará em paz por não ter aceitado de forma passiva o que lhe foi imposto — disse o colega escolhido para ouvir o meu lamento.

— Mas adianta, se o que foi levado tem data prometida para retorno: 17 de fevereiro de 2018?

Indignado, meu interlocutor abandonou a conversa, alegando que eu estava exaltada à toa por causa de um simples empréstimo.

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— Discordo! — falei bem alto, para ver se alcançava seus ouvidos cada vez mais distantes.

Já não conseguia mais enxergá-lo quando dei seguimento à explicação dos motivos que não são só meus.

Primeiro, discordo porque, ao contrário do que acontece em situações clássicas de empréstimo, não serei ressarcida com juros e correção monetária — por exemplo, a devolução da hora surrupiada com mais uma extra, a título de compensação. É claro que isso não solucionaria o desconforto, mas daria uma amenizada na insatisfação.

Segundo (e bem pior): porque esta questão vai além. Um empréstimo (exceto os dados ao governo, sobre os quais não temos qualquer ingerência) não pode ser um ato compulsório; ao contrário, deve ser precedido de uma consulta prévia, com o devido consentimento — o que, duplamente, não houve.

Há um terceiro motivo — a meu ver, ainda mais grave: os danos morais desta agressão. Estudos mostram que cerca de 50% da população não conseguem se habituar ao horário de verão. Quem se inclui neste grupo sabe os efeitos de cor: cara de sono durante quatro meses, acompanhada de bocejos constrangedores em momentos de interação social; atrasos a compromissos matinais devido à dificuldade de estabelecer a mesma rotina com uma hora de antecedência e mau humor em virtude deste conjunto de inconvenientes.

Mas o sentimento pela hora que me falta é muito maior do que todos os aspectos tangíveis relacionados até aqui. Ele passa pelo misterioso campo das possibilidades não concretizadas, com a eterna dúvida do que poderia ter sido feito naquela hora que já nos encontrará muito diferentes quando de sua devolução.


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