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Dia da visibilidade lésbica 29/08/2017 | 17h24Atualizada em 29/08/2017 | 20h17

Youtuber de Florianópolis faz série de vídeos sobre visibilidade lésbica 

Com mais de 200 mil inscritos, Louie Ponto reuniu um time só de mulheres para chamar a atenção para o apagamento e a violência sofridos pelas mulheres homossexuais

Youtuber de Florianópolis faz série de vídeos sobre visibilidade lésbica  Reprodução / Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução / Reprodução

A ideia da youtuber catarinense Louie, do canal Louie Ponto, era produzir um vídeo que chamasse a atenção para o apagamento e a violência sofridos pelas mulheres homossexuais, já que nesta terça-feira (29) é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Mas o projeto foi além e transformou-se em uma série de dois vídeos que juntos já somam mais de 56 mil visualizações. Em um deles, mulheres leem um poema de Thalita Coelho, escritora lésbica catarinense. No outro, compartilham suas histórias e dão conselhos a quem está se descobrindo homossexual.

Não é a primeira vez que a youtuber faz algo do tipo. Ela já tinha falado sobre o assunto em 2016, em um vídeo colaborativo. Na época, ela pediu às mulheres que a acompanhavam que mandassem vídeos curtinhos ou fotos com mensagens sobre visibilidade lésbica. Mas, na época, o canal tinha menos de 50 mil inscritos e a repercussão foi menor que a deste ano.

— Eu queria fazer algo diferente dessa vez. Algo que impactasse, que chamasse a atenção. Convidei mulheres para participar desse projeto comigo e o texto escolhido foi da Thalita. Ela é uma escritora incrível e também minha melhor amiga. O texto é forte e fala sobre nossas vivências — conta Louie em entrevista pelo Messenger do Facebook.

Pelas redes sociais, a youtuber fez uma convocação e, mesmo sem saber os detalhes do vídeo, cerca de 170 mulheres de Florianópolis se inscreveram, dispostas a mostrar o rosto e compartilhar suas histórias. A escolha das participantes foi feita por sorteio e a ideia inicial era gravar apenas o vídeo-poema, mas a emoção e as histórias que começaram a ser compartilhadas durante as gravações fizeram com que um segundo vídeo surgisse.

— Percebemos que elas tinham muito a dizer e que as pessoas precisavam ouvir. Comecei a fazer algumas perguntas sobre as vivências delas: "como é para você ser uma mulher lésbica" e "que recado você daria para uma menina ou uma mulher que está se descobrindo lésbica agora?". O resultado foi muito mais incrível do que o que a gente estava esperando — emociona-se a youtuber.

Assista ao vídeo:

A equipe de produção também foi composta apenas por mulheres lésbicas.

— Não teria como ser diferente. Esses vídeos eram "de mulher, para mulher". Sem contar que nós somos apagadas e excluídas de todas as áreas, inclusive no audiovisual, na literatura e no Youtube — defende Louie.

Foto: Reprodução / Reprodução

Primeiro vídeo da série teve mulheres declamando um poema da escritora catarinense Thalita Coelho

Professora de português, doutoranda em Teoria Literária e, claro, lésbica, Thalita Coelho é a autora do poema que mulheres declamam no primeiro vídeo da série, publicado no dia 23 de agosto e com mais de 41 mil visualizações.

Nascida em Balneário Camboriú e moradora de Florianópolis, Thalita escreve desde a infância mas a literatura lésbica entrou em sua vida quando ela começou a perceber sua homossexualidade.

Comecei a escrever sobre lesbianidade um pouco antes de me assumir, aos 23 anos, e nunca mais parei. A literatura fez parte do meu entendimento e autoconhecimento. Hoje não me vejo produzindo literatura que não seja sapatão, é muito mais do que prática sexual, é político e afetivo: uma lésbica que escreve sobre lésbicas e para lésbicas. É um grito de visibilidade — conta a escritora.

Além de ceder seu poema para a amiga Louie usar no vídeo, Thalita também participa declamando alguns trechos. No segundo vídeo, ela também compartilha parte de sua história.

— Foi extremamente emocionante participar daquelas gravações, ver meu texto ganhar força na voz de tantas mulheres incríveis foi surreal e eu até hoje choro com o vídeo, mesmo já tendo assistido umas 200 vezes. Eu e a Louie somos amigas desde 2009, mas trabalhar juntas em prol da luta lésbica foi a primeira vez e eu agradeço por ter tido a oportunidade — comenta.

Atualmente, a escritora está produzindo seu primeiro livro, mas seus textos podem ser lidos em sua página no Facebook.

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