Jura Arruda: "A gente bem que podia ter direito de viajar no tempo quando a recordação fosse forte" - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica25/08/2017 | 08h00Atualizada em 25/08/2017 | 14h04

Jura Arruda: "A gente bem que podia ter direito de viajar no tempo quando a recordação fosse forte"

Escritor fala sobre sentidos, como o cheiro de pão quentinho, pode nos transportar através dos anos

Jura Arruda: "A gente bem que podia ter direito de viajar no tempo quando a recordação fosse forte" Divulgação / Divuçgação/Divuçgação
Foto: Divulgação / Divuçgação / Divuçgação

O céu derramava gotas finíssimas sobre a cidade. Ao Norte, além da rodovia federal, eu estacionava em frente a uma escola com ar interiorano e bucólico. Horta com variedades, panelas à mesa para que os próprios alunos se servissem, dois exemplares do jornal "A Notícia" à mão dos alunos e uma cabana enfeitada e rica para comemorar a Semana da Educação infantil.

Eu fora convidado para contar histórias, apresentar meu trabalho e matar a curiosidade das crianças sobre a vida de escritor. Curioso, perguntei sobre os jornais e ouço que os alunos costumam folhear o diário quando chegam, "principalmente a página de esportes", me diz Gessi, enquanto termina de preparar a refeição. Sou interrompido por um dos alunos, que não tem mais do que cinco anos e me apresenta os mais variados tipos de livros que traz na bolsa. Por fim, pergunta-me: "Você me adora?". Sim, e de pronto. Como não?

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Durante a palestra, sou interrompido por Leila, a diretora: "Jura, desculpe interromper, mas você quer pão caseiro e melado? São feitos aqui na região". Em frente à audiência, respondo que sim, mas que não estou com dinheiro na carteira, apenas cartão. "Tudo bem, depois a gente vê", me diz e volta ao portão da escola. Ao final da palestra, ela chama uma das alunas para me entregar o pão e o melado, presentes que recebo pela visita.

Compartilho nas redes sociais, porque é coisa de se compartilhar a felicidade que sinto. Conto de minha chegada a Joinville e de como me deliciei com os pães e musses da cidade, a ponto de engordar exponencialmente no primeiro ano por aqui. O texto e a foto compartilhados fizeram muitas pessoas comentarem que podiam até sentir o cheiro da massa assando no forno a lenha, que aquele texto era fonte de lembranças e saudades.

Pus-me a pensar: a gente bem que podia ter o direito de viajar no tempo quando a recordação fosse forte o suficiente para sentirmos odores. Fosse assim, neste momento, eu estaria em 1984, cheio de expectativas sobre a vida em uma nova cidade; em uma casa de madeira cheia de bichos e plantas; cheia de novos sabores sobre a mesa.

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