Andrey Lehnemann: Thriller "O Acampamento" debate como você se comportaria diante do medo - Cultura e Variedades - A Notícia

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Coluna de cinema31/08/2017 | 16h00Atualizada em 31/08/2017 | 16h00

Andrey Lehnemann: Thriller "O Acampamento" debate como você se comportaria diante do medo

Segundo o diretor James Watkins, o filme "é sobre como a violência desumaniza suas vítimas, roubando-lhe suas escolhas"

Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

clickfilmes@yahoo.com.br

Foto: Reprodução / Divulgação

Uma das coisas que assusta ao embarcar no desconhecido é exatamente a imprevisibilidade do que ocorrerá. Se você foge da rotina, você já não controla a realidade que até então você possuía domínio. Está vulnerável ao acaso. Você pode ir ao lugar errado, conhecer a pessoa errada e tomar a decisão errada.

O diretor de O Acampamento tem uma ideia clara em relação a essa aleatoriedade. Durante entrevista, ele disse: "é sobre como a violência desumaniza suas vítimas, roubando-lhe suas escolhas".

É um fator que já foi colocado de diferentes formas em filmes do gênero. Tanto em narrativas como Blue Ruin e Vermelho, Branco e Azul, onde homens são levados à vinganças sanguinolentas, quanto obras que se aproveitam precisamente da impotência diante do incógnito. Neste sentido, o thriller O Acampamento carrega uma similaridade gritante com o conterrâneo Wolf Creek – Viagem ao Inferno, ao mesmo tempo que pode criar paralelos com o drama vivido pelo casal de Sem Saída, um terror inglês de 2008 estrelado por Kelly Reilly e Michael Fassbender.

No filme de James Watkins, o marido era o lado frágil e covarde. Cabia a mulher o instinto de sobrevivência da família, um substantivo que se tornaria primordial para compreender o clímax do filme. Em O Acampamento, a lógica é a de que o homem é o animal mais perigoso, o predador mais nocivo. O personagem Chook afirma que ele é um caçador, ao encontrar Sam, o marido que se acovarda diante da situação vivida por sua mulher. Ele se esconde atrás de uma racionalidade pedestre numa terra onde não existe nenhuma. O colapso de bom homem da cidade grande é escancarado no longa-metragem de Damien Power.

O cineasta levanta perguntas simples diante dos traumas passados, principalmente, pelas mulheres. Você deve sair do carro? Você deve obedecer? A naturalidade com que Power avança as frustrações de German e Chook com as mulheres e o que leva os dois ao crime é um dos principais trunfos de O Acampamento. É como se a frase "não vou machucar você" estivesse constantemente antecipando a violência. Ainda que o jogo de gato e rato do final nunca soe inesperado como a proposta do filme, O Acampamento é um thriller que consolida nossa passividade frente ao aleatório. Um filme hábil, na medida certa.

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