Mary Bastian: "Estou aqui há 13 anos e ainda não tinha visto uma cerração tão forte dentro da cidade" - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica10/07/2017 | 08h00Atualizada em 10/07/2017 | 08h00

Mary Bastian: "Estou aqui há 13 anos e ainda não tinha visto uma cerração tão forte dentro da cidade"

Escritora fala de fenômeno climático sentido em Joinville e do tempo quando vivia no Rio Grande do Sul


Mary Bastian, escritora Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Cerração baixa, sol que racha. Este ditado é antigo como caminhar a pé. Dia destes, ao abrir as janelas pela manhã, pensei com meus sábios botões que havia esquecido de colocar os óculos. Passei a mão no rosto e lá estavam eles no lugarzinho de onde só saem quando apago a luz para dormir. Então o que estava acontecendo que eu não enxergava o jardim direito? Tudo querendo aparecer e não aparecendo, tudo ofuscado. Pensei mais um pouco, que nestas horas de semipânico só se pensa besteira, está pegando fogo em algum lugar. Procurei os carros dos bombeiros e abri os vidros para sentir cheiro de fumaça e descobrir de onde vinha.Caduquice, amigos. Ao abrir as vidraças, senti a umidade na cara e o cheiro característico de pré-chuva. Estávamos com uma cerração baixa até o chão, umedecendo o gramado e espirrando gelado no nariz da gente.

No meu Rio Grande, temos muitos fenômenos destes, de cerração que vai até quase meio-dia, mas estou aqui há 13 anos e ainda não tinha visto uma tão forte dentro da cidade. É claro que a TV e o "JA" mostraram aquelas fotos lindas da serra gelada, cheia de turistas batendo selfies, de gorro tapando as orelhas, uma casaco em cima do outro e achando muito lindo. Também acho lindo, mas Deus me livre fazer o mesmo.

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Lembrei, então, de quando a primeira neta nasceu, lá em Palmas, no fim do Paraná. Peguei um ônibus em Porto Alegre para conhecer a fofa, só que meu filho não me avisou do frio que fazia por lá. Só fiquei sabendo quando desci na rodoviária e fiquei duas horas esperando outro ônibus que ia para Palmas. Os campos branquinhos, as árvores branquinhas, um ou outro cavalinho com as costas branquinhas procurando um pasto que não estivesse branquinho.Pensei que estivesse no Polo Norte. Minha filha me dizia para ver como era bonito e eu nem ouvia de tão gelada que estava naquela rodoviária que nem café tinha.

Ainda fui lá outras vezes, e agora, neste dia 9 de julho, minha neta fez aniversário e vou mandar uma mensagem bem bonita para ela daqui do meu computador, na frente da estufa, bem no quentinho.

Feliz aniversário, neta número um.

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