Livro descortina a vida de Paul McCartney; ex-Beatle vem ao Brasil em outubro - Cultura e Variedades - A Notícia

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Biografia11/07/2017 | 09h35Atualizada em 11/07/2017 | 09h35

Livro descortina a vida de Paul McCartney; ex-Beatle vem ao Brasil em outubro

Fãs podem conhecer melhor a vida do ídolo em biografia que acaba de ser lançada no Brasil. Restam poucos ingressos para shows no país 

Livro descortina a vida de Paul McCartney; ex-Beatle vem ao Brasil em outubro Mary McCartney/Divulgação
Foto: Mary McCartney / Divulgação
Estadão Conteúdo
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Os anjos de branco nunca ficavam doentes, muito menos aquela mulher cheia de poderes que Paul McCartney chamava de mãe. Mary McCartney sabia que algo não ia bem assim que as dores nos seios deixaram de ser normais. Enfermeira durona do Hospital Geral de Liverpool, ela se rendeu a uma consulta. Quando ouviu o médico dizer que deveria ser internada às pressas, sentiu a sentença de morte. Mary olhou para os filhos Paul, 14 anos, e Michael, 12, e lamentou a uma amiga: "Ah, eu não queria deixar os meninos ainda". Antes de partir para o hospital, de onde não voltaria, limpou a casa e lavou e passou as roupas da família. Só restaria da mãe, em poucos dias, o cheiro de saudade.

Mais do que devastar Paul, a partida repentina de Mary, em 31 de outubro de 1956, aos 47 anos, ajudou a construir sobre sua personalidade afável uma película impermeável que delimitaria seu território proibido. Ao mesmo tempo em que experimentava emoções em níveis de profundidade ainda não atingidos por um garoto, e que em pouco tempo ganhariam vida exterior em forma de canções, Paul aprenderia a operar sua genialidade com cautela e a defender seus interesses com estratégia, charme e ambição. Apenas uma flecha atravessaria sua couraça e o tornaria exposto, trazendo-o de volta à condição humana: mesmo quando estivesse no topo do mundo, Paul McCartney iria sentir as angústias da insegurança.

Fraquezas de Paul e John forjaram força dos beatles

Seria mais uma das muitas biografias de um ex-Beatle se Paul McCartney – A Biografia, de Philip Norman, recém lançada no Brasil, não fizesse o serviço da atualização histórica e da compreensão tridimensional que o passar do tempo permite. Há muitas histórias conhecidas, outras muitas melhoradas, um outro tanto inéditas, mas o melhor é tê-las na perspectiva equilibrada de um biógrafo que caminha mais próximo do verossímil do que dos exageros. Até porque o verossímil de um Beatle será sempre um exagero. 

– O Paul McCartney real é muito diferente do Paul McCartney da imagem – comenta Norman. – Conhecemos o homem maravilhoso, talentoso, genial. O real é inseguro e sempre insatisfeito. Paul segue no palco muitas noites por ano porque ainda quer mostrar do que é capaz para seu público.

Era 18 de junho de 1942 quando chegou ao mundo o primeiro filho dos McCartneys. Era uma criança em estado de ¿asfixia branca¿, com deficiência de oxigênio no cérebro e que parecia não respirar. Antes que o obstetra o decretasse morto, a parteira, católica e amiga de Mary, ajoelhou-se na fé. "E depois de alguns momentos, ele voltou à vida", escreve o biógrafo, em um raro deslize de sua narrativa geralmente cética – a não ser que ele tenha checado a informação com o próprio Deus. A declaração de seu pai, que chegou minutos depois ao hospital, foi mais terrena: "Ele parecia um pedaço horroroso de carne vermelha".

Aos 13 anos, Paul ganhou um trompete de aniversário. O pai não tinha nenhuma intenção naquele gesto, a não ser a de ver o filho inserido nas turmas descoladas de Liverpool. "Se você tocar alguma coisa, filho, sempre vai ser convidado para as festas." Aos 14, antes de perder a mãe, ele estava na plateia do Empire Theatre de Liverpool para ver o rei do skiffle, Lonnie Donegan. Ao sair, pegou o trompete e trocou por uma guitarra.

Uma leitura dos prováveis motivos da colisão John Lennon – Paul McCartney nos Beatles pode ser feita no decorrer da narrativa de Norman. Os dois rapazes eram formados pelo mesmo material genético: dor, solidão e carência afetiva. Assim como Paul, Lennon perdeu a mãe muito cedo. Quando as personalidades habitam extremos opostos, as fraquezas se complementam e se tornam força. No caso dos Beatles, eram uma bomba-relógio.

Ficha:

Paul McCartney - a biografia
De Philip Norman. Tradução: Claudio Carina e Rogério W. Galindo. Companhia das Letras, 856 págs., R$ 89,90.

Foto: Paul McCartney / Reprodução

Bigode

Na primeira vez em que Paul deixou crescer o bigode, em 1966, foi para esconder um defeito físico. Durante uma viagem de Cheshire, onde visitava o pai, a Liverpool de bicicleta motorizada, ao lado do milionário Tara Browne, Paul perdeu o controle, caiu e bateu com o rosto no chão. O impacto fez um de seus dentes da frente atravessar o lábio superior. Quando chegou ao destino, um médico suturou o corte sem anestesia.

Apple x apple

Menino prodígio da Califórnia e fã doentio dos Beatles, Steve Jobs resolveu batizar sua empresa de computadores de Apple em homenagem aos ídolos. Mesmo sem os Beatles em ação, a Apple dos ingleses ainda existia. A empresa dos Beatles entrou com um processo, e um acordo foi firmado: a Apple de Jobs não deveria usar música em seus computadores. O tempo mostrou que o acordo seria impossível, e a história ficou com duas Apple.

Prisão em Tóquio

Em 16 de janeiro de 1980, Paul é preso ao chegar a Tóquio, de Londres. Um inspetor mexeu em sua mala e tirou um saco plástico cheio de maconha. "Quando o sujeito tirou aquilo da mala, ele estava mais constrangido do que eu", disse Paul. Foram cinco horas de interrogatório na polícia metropolitana de Tóquio. Diferentemente de Europa e EUA, não havia liberação mediante fiança. Paul passou a noite toda sentado no chão com as costas na parede, apavorado pela ideia de ser estuprado. 

Turnê Brasil 2017

Paul McCartney fará um nova turnê no Brasil em outubro. Confira datas e preços (ingressos disponíveis online) em cada cidade:

13/10, em Porto Alegre. Ingressos a partir de R$ 408
15/10, em São Paulo, no Allianz Parque. Ingressos a partir de R$ 510
17/10, em Belo Hroizonte, no Estádio do Mineirão. Ingressos a partir de R$ 318,88
20/10, em Salvador, na Arena Fonte Nova. Ingressos: a partir de R$ 199,89. 

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