Jura Arruda: "Renata aproveitou a oportunidade e presenteou-se com o sobrenome de alguém, para ela, especial." - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica07/07/2017 | 08h00Atualizada em 07/07/2017 | 08h00

Jura Arruda: "Renata aproveitou a oportunidade e presenteou-se com o sobrenome de alguém, para ela, especial."

Escritor fala de moça que não tinha sobrenome e que conseguiu na Justiça o direito de registrar um

Jura Arruda: "Renata aproveitou a oportunidade e presenteou-se com o sobrenome de alguém, para ela, especial." Claudia Baartsch/Especial
Jura Arruda, escritor Foto: Claudia Baartsch / Especial

Faz frio na manhã de quinta-feira, mas há um Sol brilhando na janela do quarto, onde sento para escrever este texto. O brilho do Sol dará o tom do meu dia, com toda aura de esperança que sempre traz. Nas redes sociais ainda pipocam ideias e sugestões que pedi para escrever a crônica da semana. Uma delas chamou-me a atenção, precedia um link para matéria no G1 sobre uma moça de 24 anos, órfã, que não fora devidamente registrada, cabendo-lhe apenas o primeiro nome: Renata. Na Justiça, ela conquistou o direito de escolher seu sobrenome, e o fez em homenagem a um homem que visitava o abrigo em que ela morava e a ajudava com presentes e artigos de primeira necessidade.

À matéria, seguiu-se uma série de comentários, e foi aí que o Sol foi encoberto e, da janela do quarto, o mundo escureceu: o primeiro comentário, de alguém chamado Mario Sanches, dizia: "Não sabia que índio precisava de sobrenome"; mais abaixo, um senhor chamado Angelo Fernandes vociferou: "Por isso, sou a favor do aborto. Olha o caso dessa abandonada, uma pessoa indigente, e vai ser pela vida toda. É isso que chamam de direito à vida?".

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Tanto o de sobrenome Sanches, quanto o de Fernandes fazem parte de um grupo não muito pequeno que não sente a menor vergonha em demonstrar sua ignorância e despreparo para a vida em sociedade. Os dois, devidamente registrados e, quiçá, batizados, fazem parte de um grupo que tem sobrenome, mas não tem nobreza, que por trás de sua miopia social derrama ódio e preconceito e torna a internet o lugar mais inóspito do planeta.

A Renata, que agora é Renata Ramos de Lima, aproveitou a oportunidade e presenteou-se com o sobrenome de alguém, para ela, especial. Quanto a mim, meu nome nasceu da literatura de José de Alencar, no livro "Ubirajara", em cena que, ao protagonista, em visita a uma taba, é dado o direito de escolher como quer ser chamado. Ao decidir, justifica: "Vim trazido pela luz do Sol. Chamem-me Jurandir". É de sol e esperança que foi feita esta crônica, é por dias com mais luz e menos trevas que ela foi publicada.*

* O nome do autor, Jurandy, deriva do original Jurandir e mantém o mesmo significado: trazido pela luz do Sol.

 
 

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