Jura Arruda: "Os líderes mostraram-se mais preocupados com sua sobrevivência do que com as pessoas" - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica14/07/2017 | 08h00Atualizada em 14/07/2017 | 08h00

Jura Arruda: "Os líderes mostraram-se mais preocupados com sua sobrevivência do que com as pessoas"

Escritor trata da situação atual no Brasil, incluindo o cenário político e a banalização do crime

Jura Arruda: "Os líderes mostraram-se mais preocupados com sua sobrevivência do que com as pessoas" Claudia Baartsch/Especial
Jura Arruda, escritor Foto: Claudia Baartsch / Especial

Faz tempo que não nos assombramos com as coisas. Deve ser a pouca luz dessa caverna mal arejada. Respirar também tem sido difícil.Desde que chegamos, passamos a não nos reconhecer como iguais, há grupos divididos e distantes, cada um com sua própria lanterna ou cegueira. Uma parte decidiu caminhar pelo negrume em busca da saída, outra ficou paralisada por medo ou porque se acostumou às condições. Há um grupo deitado no chão da caverna, sem forças para se erguer, mas os que se movem procurando uma saída e os que ficam, empertigados, não se comovem com os caídos. Há também um grupo que atira e mata, mas a morte já não nos toca. O sangue que mancha o fio de água que atravessa a caverna é comum, é comum que alguns morram inválidos e descrentes.

Na noite de ontem, de novo, o padre tocou o menino. Alguns ouviram o pequeno pedir socorro, mas não tinham certeza disso, pois a voz estava abafada; outros disseram que ele pediu, sim, por socorro, mas preferiram não dizer nada para não causar transtorno no que, há milênios, fora estabelecido.

Os líderes, que tomaram o poder há pouco tempo, mostraram-se mais preocupados com sua sobrevivência na caverna do que com as pessoas e, por isso, começaram a tirar os direitos dos que aqui estão. Já foi provado que seus recursos para chegar e se manter no poder são ilícitos, mas o Juiz adormeceu, ou finge que está dormindo para não ter que decidir contra eles, que são seus amigos.Há os que lutam e gritam suas razões, mas são tão poucos e contam com tão pouca vontade daqueles aos quais defendem, que não conseguem alterar as coisas, nem acordar o Juiz.

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Hoje de manhã, soubemos que um dos nossos fora condenado, sem provas. Algumas mulheres ousaram sentar nas cadeiras dos que comandam, mas parecemos impotentes para mudar o que fora estabelecido. Somos um grupo cada vez menor, dos que ainda se dispõem, mas estamos perdendo a força que nos mantinha de pé. A morte nos ronda, é presença comum. É comum estarmos nessa caverna que nos agride a natureza, mas estamos nos acostumando, e tudo começa a parecer normal.

 
 

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