Rubens: Por que é obrigatório visitar mostra sobre Schwanke em Joinville - Cultura e Variedades - A Notícia

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Orelhada05/06/2017 | 05h00Atualizada em 05/06/2017 | 05h00

Rubens: Por que é obrigatório visitar mostra sobre Schwanke em Joinville

Confira entrevista com Rosângela Cherem, curadora da exposição Schwanke - Circuito Expositivo, aberta em três espaços de Joinville

Rubens: Por que é obrigatório visitar mostra sobre Schwanke em Joinville rubens herbst/Arquivo Pessoal
Retrospectiva de Schwanke está exposta no MAJ, no Instituto Juarez Machado e na Acij Foto: rubens herbst / Arquivo Pessoal

A dimensão da mostra e a importância do artista para as artes visuais catarinenses tornam obrigatória uma visita a Schwanke – Circuito Expositivo, cujas 204 obras se espalham por três espaços de Joinville (MAJ, Instituto Juarez Machado e Acij) até agosto. Em busca de detalhes dessa monumental empreitada em prol da memória e da divulgação da obra de Luiz Henrique Schwanke, a coluna foi ouvir a curadora Rosângela Cherem, responsável também pela edição de um livro sobre o artista joinvilense e a curadoria de uma exposição, em 2016, na Fundação Cultural Badesc, na Capital.


Foi difícil fazer a seleção das obras? Quais os critérios adotados pela curadoria?
Rosângella Cherem –
Aceitar o convite para curar as três exposições em Joinville foi um desdobramento da exposição ocorrida em Florianópolis. Salientando o fato de que pude contar com uma equipe de pessoas muito comprometidas e empenhadas em contribuir do melhor modo possível para que o artista pudesse ser melhor conhecido, tanto em seu processo poético quanto nos recursos materiais e soluções de execução. 

Os trabalhos expostos constituem-se na mais completa mostra do artista já realizada. Percorrer estes espaços e entender as obras que ali estão é alcançar uma parte das mais relevantes para reconhecer o lugar ímpar que este artista ocupou e ainda significa para a história da arte no contexto brasileiro. As obras foram selecionadas a partir de uma marca muito pessoal do artista, considerando a depuração de suas principais referências: seriação, obliteração, decantação. 

De um lado, processou dimensões mais emocionais e gestuais, que vão do barroco ao expressionismo, passando pelo dadaísmo, surrealismo e informalismo, além da pop art e da arte povera, resultando nos desenhos, colagens, pinturas e instalações em que fez uso de papelão e jornal, espetos de ferro, spots e lâmpadas. De outro lado, alcançou experimentações bastante racionais advindas do construtivismo, do minimalismo e do concretismo, apropriando-se de objetos industrializados e de uso cotidiano, tais como perfis de persiana, prendedores de roupa, mangueiras e outros objetos plásticos.

Confira outras colunas de Rubens Herbst.

O que você pode dizer sobre as obras inéditas? Existe muita coisa do Schwanke que ainda não foi exposta publicamente?
Rosângela –
Para responder a esta pergunta, convém destacar que o artista não deixou instruções para futuras montagens, mas registros de obras a serem expostas, como é o caso da instalação intitulada Cobra Coral. Em suporte sobre papel, além dos conhecidos Linguarudos, há muitas coisas ainda não vistas, considerando que ele tinha um procedimento bastante serial. 

O mesmo acontece com algumas telas pintadas com tinta acrílica e diversos sonetos. Há trabalhos que foram mostrados poucas vezes, como os diversos tipos de colunas em baldes e bacias, e os que pedem ambientes e instalações muito complexas, como os que abordam a luz, destacando-se o mais impressionante deles, o Cubo de Luz-Antinomia, apresentado na Bienal de São Paulo em 1991. Há uma série maravilhosa com pedestal de papelão, cujas frutas e legumes de plástico acabaram perecendo devido ao tipo de material.

Pela sua experiência, o que você acha que o Luiz estaria fazendo hoje? Que caminho a arte dele teria tomado?
Rosângela –
Embora permaneça pouco estudado e reconhecido, Luiz Henrique Schwanke foi um artista muito prolífico, manteve uma correspondência com os principais críticos de arte do país e era por eles respeitado, atraiu e influenciou artistas jovens de sua cidade e inspirou outros de seu Estado. Sua fatura manual primorosa acontece, por exemplo, nos desenhos com ecoline no começo dos anos 80 e nos obstinados e compulsivos desenhos de cabeças, torsos, leõezinhos e meninas que seguem até os anos 90, quando fez muitos para vender como forma de angariar uma parte de recursos para poder participar da Bienal de São Paulo. 

Todavia, em finais dos anos 80, o artista passou a conceber as obras em materiais industriais e mandar fazer a partir de seu entendimento sobre arte conceitual. Provavelmente, antes de chegar aos 66 anos que teria hoje, já teria passado pelas experimentações com a arte digital. Mas, considerando o lugar único e sofisticado que construiu para si no cenário da arte brasileira, é difícil dizer onde teria chego.

Você acha que o Schwanke foi incompreendido em sua época? Vinte e cinco anos depois, o que a obra do Schwanke representa para as artes visuais contemporâneas catarinenses, quiçá brasileiras?
Rosângela –
No último quarto do século 20, como hoje, continua sendo mais fácil seguir receitas prontas e sem muita reflexão, saquear ideias alheias como modo de obter resultados mais rápidos e não arriscar nada que possa render críticas desfavoráveis. Schwanke não escolheu isso, formou seu repertório por meio de leituras difíceis e pouco usuais em seu meio, viajou e manteve interlocução com importantes artistas, depurou diferentes referências em sua produção, evitando a mera apropriação ou citação. 

Teve coragem e audácia para fazer coisas não compreendidas em sua cidade, não para desafiar ou confrontar, mas porque estava comprometido com sua obra e as questões que lhe eram próprias. Ao que parece, é isto que ainda o torna difícil de compreender do ponto de vista dos conceitos e das classificações, mas também é isso que faz com que seja tão importante pensá-lo.

 
 

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