Rubens: "A população precisa ser estimulada a consumir cultura" diz novo presidente da Scar de Jaraguá - Cultura e Variedades - A Notícia

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Orelhada29/06/2017 | 05h00Atualizada em 29/06/2017 | 07h57

Rubens: "A população precisa ser estimulada a consumir cultura" diz novo presidente da Scar de Jaraguá

conheça os planos de Gilmar Moretti à frente da Sociedade Cultural Artística

Rubens: "A população precisa ser estimulada a consumir cultura" diz novo presidente da Scar de Jaraguá Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Um ano depois de celebrar seis décadas de existência investindo forte em sua estrutura física, a Sociedade Cultural Artística (Scar) comemorou no dia 8 de junho mais um aniversário com uma gestão renovada e com planos de reforçar e ampliar os valores que regem a entidade jaraguaense. 

À frente da nova diretoria, eleita em maio, está uma figura conhecida do cenário cultural da cidade: Gilmar Moretti, cineasta e diretor de teatro, envolvido há 30 anos com a Scar e presente na gestão do ex-presidente Udo Wagner. Aliás, um trabalho ao qual ele tem a missão de dar continuidade, como diz nesta entrevista à coluna. 

Além da implantação de processos administrativos mais eficientes, projetos já começaram a sair do papel, como a renovação completa da diretoria da Orquestra Filarmônica Scar. Outros estão a caminho, como a volta do Festival de Formadas Animadas e o Vida & Arte, um meio de levar mais cultura para os bairros de Jaraguá. Mas é melhor deixar o próprio Moretti explicar tudo isso.

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O que a Scar representa hoje para a cultura de Jaraguá, da região e, quiçá, de Santa Catarina?
Gilmar Moretti –
Acho que podemos analisar a Scar sob dois olhares diferentes: o centro cultural e o fomento à cultura. Um centro cultural de 10 mil m², com dois teatros e várias salas multiúso, com equipamentos técnicos de última geração, que permite abrigar os mais variados eventos. Se a Scar fosse só isso, já seria de fundamental importância para Santa Catarina. Mas o papel da entidade como fomentadora de cultura, principalmente nos últimos dez, 15 anos, é transformador. Hoje, temos cerca de mil alunos, metade bolsistas, em projetos de formação cultural em música, dança, teatro e artes plásticas. Esses projetos envolvem as famílias, amigos, vizinhos, formam público, incentivam as pessoas a frequentar um espaço cultural, a consumir cultura. Não tenho dúvida de que grande parte do motivo de Jaraguá do Sul ter sido apontada como cidade mais pacífica do Brasil se deve a esse impacto social positivo da cultura.

Que mudanças de gestão estão sendo estudadas ou quais são necessárias para manter a Scar no caminho?
Gilmar –
As mudanças que estamos estudando e implantando têm como principal objetivo ampliar nossa governança. A principal mudança é a criação de um conselho de administração, formado por voluntários, com reuniões mensais, exatamente como as empresas de capital aberto. O conselho terá a função de discutir, aprovar e controlar o planejamento estratégico, o desempenho financeiro e operacional da entidade, além de zelar pelos valores, missão e propósito da instituição. A gestão operacional continua a ser feita por executivos contratados e profissionais de mercado especializados em suas áreas de atuação.

De que forma a Scar pretende levar cultura para os bairros de Jaraguá? Estaria a entidade um tanto distante deles?
Gilmar –
Não nos sentimos distantes, porque temos alunos de todos os bairros de Jaraguá e até das cidades vizinhas. Mas também entendemos que a população precisa ser estimulada a consumir cultura e, para isso, precisamos sair da zona de conforto, sair da nossa casa. Queremos levar os projetos de formação cultural básica para os bairros, queremos que as crianças e adolescentes tenham oportunidade de estudar e se apresentar em sua própria comunidade, além, é claro de fazer as apresentações no teatro, para que o ciclo seja completo.

Hoje, a estrutura física da Scar dá conta de todas as atividades e eventos? Já se fala numa ampliação?
Gilmar –
A ida para os bairros, a descentralização das atividades, já é uma forma de ampliação. Nossa ampliação da estrutura física se dá de forma orgânica, na aquisição de equipamentos técnicos, como mesas de som, projetores, microfones etc. Esses investimentos nos permitem ser cada vez mais autossuficientes no atendimento aos grandes eventos e mais sustentáveis na parte financeira.

Como a Scar é mantida basicamente pelo empresariado local, a crise econômica afetou as finanças da entidade? Algum trabalho foi comprometido?
Gilmar –
Sim, tivemos impacto, principalmente no patrocínio de projetos via leis de incentivo. Mas conseguimos manter as ações sem que os alunos sofressem qualquer prejuízo. Por outro lado, conseguimos cumprir nossas metas de locação de espaço para eventos, que é o que mantém a saúde financeira da entidade no equilíbrio. Como qualquer empresa, aproveitamos esse período de turbulência para nos reorganizar, realinhar, rever processos e buscar ser mais eficientes.

O Festival de Formas Animadas será reativado? O que é preciso?
Gilmar –
A Scar tem um carinho muito grande pelo festival, tanto que bancou a realização com recursos próprios em 2014. Nos últimos dois anos, apesar do nosso esforço, ele não aconteceu pela falta de recursos do governo estadual. Neste ano, temos uma sinalização positiva do aporte de recursos. Já reservamos a data e estamos mobilizando as pessoas responsáveis pela organização. Assim que a parceria com o governo do Estado for oficializada, divulgaremos os detalhes do festival.

O que está sendo pensado para a Orquestra Filarmônica após a renovação em sua diretoria?
Gilmar –
Nossa orquestra resiste e, ao contrário das orquestras que infelizmente estão encerrando atividades, estamos em uma fase de renovação bastante empolgante. Mudamos a forma de trabalho para elevar a qualidade musical. Antes, a orquestra trabalhava por projeto, por temporada, agora temos um corpo fixo, com ensaios semanais, o que parece simples, mas é uma evolução tremenda. Essa forma de trabalho permite ampliar o repertório, dá mais dinamismo, mais entrosamento entre os músicos e o maestro. Eleva os desafios musicais, eleva a qualidade técnica da orquestra e dos concertos como um todo.

Sua presença sugere que a Scar se aproximará mais do cinema?
Gilmar –
Hoje, meu nome está mais ligado ao cinema por causa dos projetos recentes nessa área, mas minha atuação na arte vai além disso. Fui diretor do espetáculo de inauguração, que envolveu várias manifestações artísticas, por exemplo. Mas eu sou apenas um representante de um grupo maior, de um grande conselho que direciona as ações da entidade. E a Scar, que começou com um grupo musical, já em seu estatuto de fundação colocava como ponto importante estar aberta a todas as manifestações artísticas. É natural para entidade encarar o novo, ampliar seus horizontes de atuação. Quem diria que iríamos cobrir as paredes do centro cultural com grafites? A Scar nasceu aberta a novos projetos e boas ideias, e vai continuar buscando se reinventar sempre.

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