"Prefiro imaginar que finalmente chegamos à pós-modernidade do 0800." - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica06/06/2017 | 08h01Atualizada em 06/06/2017 | 08h01

"Prefiro imaginar que finalmente chegamos à pós-modernidade do 0800."

Simone Gehrke conta sobre a grata surpresa que teve ao recorrer ao sistema de teleatendimento de uma empresa

"Prefiro imaginar que finalmente chegamos à pós-modernidade do 0800." CHICO MAURENTE,DIVULGAÇÃO/CHICO MAURENTE,DIVULGAÇÃO
Simone Gehrke é jornalista (simoneg@edmlogos.com.br) Foto: CHICO MAURENTE,DIVULGAÇÃO / CHICO MAURENTE,DIVULGAÇÃO

— No verso do seu cartão de seguro tem o 0800. Liga lá, que eles resolvem.

A orientação pesou como um fardo em ouvidos descrentes, como acontecia sempre que a conversa terminava com este tipo de indicação. Ainda fiz questão de me certificar se não existiria alguma alternativa. A telefonista foi taxativa:

— Lamento, não temos — concluiu.

O jeito era se desvencilhar de qualquer necessidade premente nos 45 minutos seguintes, encher o espírito de uma paciência cada vez mais escassa para estas supostas facilidades do nosso tempo e iniciar a gincana do 0800. Com suas infindáveis tentativas de chamadas não completadas, muitos minutos de espera para ser contemplado com os ouvidos de atendente, algumas transferências de acordo com o desenrolar da narrativa e um sem-fim de insuportáveis gerúndios ao longo do processo.

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Comecei a discagem com uma meia dúzia de distrações em volta para atenuar a previsível espera. A primeira impressão foi um susto. Atenderam ao telefone na primeira tentativa, no segundo toque. Foram solicitadas duas alternativas numéricas, seguidas do número da apólice e... inacreditável. Do outro lado da linha já havia uma agradável e disponível voz humana, ciente de minha identidade em função dos dados digitados. Só era preciso informar o Estado, a cidade, os telefones de contato e relatar o problema. Pronto. Atendimento completado, solução encaminhada — sem intermediários.

— Você receberá o retorno em até três horas úteis.

— Sério? — perguntei, incrédula.

— Sério — respondeu a atendente, com firmeza e simpatia.

— Sem dados adicionais, minutinhos de espera e "vou estar fazendo alguma operação no meio do caminho?"

— Exato.

— Fantástico! — deixei escapar, beliscando o braço para me certificar de que estava acordada.

— Você precisa de minha ajuda para mais alguma coisa?

— Não, obrigada!

— Tenha um bom dia.

Se fosse pessimista, poderia pensar que acertei na loteria dos teleatendimentos, depois de um longo histórico de tentativas frustradas. Mas como acredito na capacidade humana de reinvenção contínua, prefiro imaginar que finalmente chegamos à pós-modernidade do 0800. Sim, ela é viável, com comunicação rápida, objetiva e direto ao ponto.

 
 

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