Conheça a música de Gloire Ilonde, artista e cantor do Congo que vive em Florianópolis - Cultura e Variedades - A Notícia

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Perfil21/06/2017 | 03h00Atualizada em 21/06/2017 | 03h00

Conheça a música de Gloire Ilonde, artista e cantor do Congo que vive em Florianópolis

Músico prepara-se para lançar o primeiro disco e conta com financiamento coletivo para viabilizar a gravação

Conheça a música de Gloire Ilonde, artista e cantor do Congo que vive em Florianópolis Betina Humeres/DC
Foto: Betina Humeres / DC

Gloire Ilonde ainda lembra a rotina da família. Às 6h da manhã, antes de sair para o trabalho ou a escola, ele, os pais e irmãos encontravam-se para cantar e louvar a Deus. Foi vocalizando as canções de igreja que o congolês se descobriu cantor. Hoje, a 7,2 mil quilômetros de distância da casa dos pais, ele está prestes a lançar o primeiro disco — e conta com financiamento coletivo para tornar isso possível.

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Ilonde nasceu em Kinshasa, capital e maior cidade da República Democrática do Congo, Centro da África. É o mais populoso país francófono do mundo. Há cinco anos vive em Florianópolis. Depois de ter estudado arquitetura na cidade natal, veio como intercambista para estudar artes visuais, curso que interrompeu para dedicar-se ao design industrial.

Embora artista destacado pelo trabalho com pintura, cerâmica e xilogravura, ficou conhecido por aqui nos palcos: intuitivo e com uma potência vocal que perpassa gêneros musicais universais, caiu nas graças do público. E também de bandas como a Brass Groove Brasil, grupo de música instrumental da Capital que encontrou nele um parceiro e uma conexão entre dois países distantes, mas com muita história e música em comum.

Ilonde traz nas células rítmicas, no improviso e na malemolência a essência africana. Ao cantar, remete a uma ancestralidade afro-brasileira, só que com ar renovado. Ele mostra a raiz e ao mesmo tempo a África contemporânea. Na mesma medida, o Brasil promoveu a ele um encontro (e reencontro) com ritmos:

— Meu gosto mudou quando vim para cá. Conheci o samba, o funk carioca, o sertanejo. Para mim, não existe música ruim, desde que me comova de alguma forma — afirma.

Foto: Betina Humeres / DC

Foi em Florianópolis que ele fez a transição da sua música de raiz para sonoridades universais. Aqui conheceu Tim Maia, a quem dedica os melhores elogios e inspiração.

— A música é uma história de vida. Eu nasci com meus pais cantando. Meu pai é pregador de uma igreja, mas não se considera músico. Para ele, é uma manifestação, um jeito de agradecimento.

Na escola de belas artes ele descobriu a música urbana, o hip hop, break dance e o pop. Participava de batalhas de rima e foi improvisando que aprendeu a compor.

— Há pouco tempo me dei conta que meu pai foi a primeira pessoa que ouvi improvisando — conta.

E lembra que o pai escrevia músicas para cada criança que nascia. E cantava para os pequenos não chorarem quando a mãe estava ocupada. Hoje, Ilonde compõe em francês, português e lingala, a língua materna.

No último sábado e segunda-feira, o artista fez dois shows para arrecadar verbas para a gravação do álbum. Quem quiser colaborar via financiamento coletivo, pode doar cotas a partir de R$ 30 até sexta-feira, dia 26, pela plataforma Benfeitoria. As recompensas variam de um CD até ingressos para shows e obras de arte assinadas pelo artista. Até ontem, o artista havia arrecadado 83% do total necessário.

Foto: Betina Humeres / DC

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