Andreia Evaristo: "Nem mesmo uma flor foi comprada. Mas tenho certeza de que tudo o que preciso estava aqui, ao meu lado e dentro de mim" - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica17/06/2017 | 08h00Atualizada em 17/06/2017 | 08h00

Andreia Evaristo: "Nem mesmo uma flor foi comprada. Mas tenho certeza de que tudo o que preciso estava aqui, ao meu lado e dentro de mim"

Escritora fala sobre declarações de amor postadas por muitas pessoas nas redes sociais no Dia dos Namorados

Era Dia dos Namorados. As redes sociais se encheram de fotos de casais, cujos olhos saltavam em corações artificiais — aqueles que parecem uma bundinha virada para o ar. Presentes, flores, chocolates... tudo que não deixasse as pessoas se esquecerem de que o dia era dos que estavam acompanhados.

Houve quem fizesse piadinha, quem dissesse que a hipocrisia estava solta, que bastava um print nas conversas do Whats e muitos namoros iriam por água abaixo; que antes de levar a "zero-um" ao motel, era preciso deletar a senha do wi-fi. Tudo dor de cotovelo: prefiro minha timeline cheia de amor a cheia de notícias de corrupção ou de gente rancorosa brigando para defender políticos que pouco estão se lixando para os que estão do lado de cá.

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Havia, também, os reclamões, que ansiavam por chinelos velhos para seus pés, tampas para suas panelas, metades para suas laranjas (acrescente aqui qualquer outro bordãozinho-clichê para definir relacionamentos amorosos). A esses mais queixosos, informei que dia seguinte era o dia dos desesperados — bastava fazer promessa a Santo Antônio e pendurá-lo de ponta-cabeça — no melhor estilo chantagem. Outra opção, um pouco mais difícil (já que depende do tipo de santo que se tivesse à mão), seria sequestrar do colo do casamenteiro o menino Jesus e prometer que o garoto só seria devolvido mediante pagamento de fiança — nesse caso, um namorado. De uma forma ou de outra, o crime só compensaria se o santo em questão tivesse sido ganhado de presente. Nessa simpatia, não basta ter dinheiro para conseguir uma graça.

Passei o dia ao lado do marido. Sem promessas de presentes, sem almoço especial, sem saidinhas a locais badalados (e abarrotados de pessoas). Nem mesmo uma flor foi comprada (ou roubada do canteiro da vizinha). Mas tenho certeza de que tudo o que preciso estava aqui, ao meu lado e dentro de mim: um amor companheiro, desses para a vida inteira, para conversar até adentrar madrugada, sem que o assunto acabe; um parceiro de lamúrias, com quem posso chorar até ficar descabelada e com o nariz escorrendo; um amigo de comemorações, mesmo que seja sem champanhe ou flashes de fotos, mas com a certeza de que a minha realização é a dele e vice-versa (e que seja "de janeiro a janeiro, até o mundo acabar", para não desperdiçar o verso lindo da música que nos toca).

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