Protocolo Elefante: Cena 11 mostra o resultado do projeto homônimo que repensou os rumos da companhia - Cultura e Variedades - A Notícia

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20 anos de dança21/05/2017 | 09h49Atualizada em 21/05/2017 | 09h49

Protocolo Elefante: Cena 11 mostra o resultado do projeto homônimo que repensou os rumos da companhia

Novo espetáculo do grupo de dança contemporânea abriu o festival Múltipla Dança na noite de sábado

Protocolo Elefante: Cena 11 mostra o resultado do projeto homônimo que repensou os rumos da companhia Cristiano Prim/Divulgação
Foto: Cristiano Prim / Divulgação

Um ritual de reconstrução e reconhecimento e uma investigação do isolamento, em uma referência ao mito do elefante velho que se afasta da manada antes de morrer. Em Protocolo Elefante, a companhia de dança catarinense Cena 11 - uma das mais importantes do país - sai desse ponto de partida para se redescobrir e explorar ainda mais os limites do corpo e a relação com a plateia. O espetáculo, que estreou em São Paulo em agosto de 2016 e cuja primeira apresentação em Florianópolis foi na abertura do festival Múltipla Dança, na noite deste sábado, apresenta o resultado de 18 meses de imersão e definição de identidade do grupo.

— É ritual não como uma referência de apropriação étnica de algo, mas enquanto manifestação do tempo. O ritual pormenoriza o tempo, faz dele uma relação física da tua sensibilidade com a existência. A gente tenta trabalhar dentro de alguns pressupostos rituais que possam trazer a nossa dança pra esse lugar — conta o diretor e coreógrafo do Cena 11, Alejandro Ahmed.

A tecnologia é, mais uma vez, usada como uma extensão do corpo. Com trilha e iluminação assinadas por Hedra Rockenbach, o espetáculo usa laser (recurso utilizado pela primeira vez pela companhia), projeções e fumaça para transportar o espectador para uma imersão - mas esqueça tudo o que você já viu com tais recursos porque certamente não será nada parecido. Há também o nu, que não é exatamente novo no trabalho do grupo, mas aparece em um segundo momento da apresentação.

— É um nu mais sobre a disponibilidade enquanto técnica do que a exposição do corpo em si. Quando ele acontece, ele transcende o estado do palco para comungar com outros níveis de sensibilidade. O nu acaba trabalhando mais no sentido de se estar sensível pra poder receber e compartilhar determinadas questões do que pra mostrar alguma coisa. No fundo, o Protocolo é mais sobre revelação do que produção e exposição — explica o diretor.

Tardia, a estreia no Estado ocorre após um período de dúvidas sobre o futuro da companhia, que em abril garantiu a continuidade e sustentabilidade de sua pesquisa e obra em 2017 graças ao apoio do público por meio de um financiamento coletivo. A campanha, inclusive, viabilizou a estreia do Protocolo Elefante em Florianópolis, além dos ciclos de aulas abertas e ensaios assistidos e manutenção parcial do elenco. Em 45 dias, 494 pessoas apoiaram a cia, que arrecadou um total de R$ 47,891.

Foto: Cristiano Prim / Divulgação

— O financiamento foi a primeira ação em busca de uma nova sustentabilidade do grupo. Tudo isso serviu pra abrir uma outra lacuna de pensar o modo com o qual a economia da cultura precisa resgatar seus vínculos com aqueles que acham necessário que a gente tenha autonomia de financiamento — diz Ahmed.

O espetáculo terá nova apresentação em Florianópolis no dia 2 de junho, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, dentro da programação da III Semana de Dança da UFSC.

Entenda o Protocolo Elefante

Desde dezembro de 2014, a companhia de dança contemporânea catarinense Cena 11 está imersa no projeto que marca os 20 anos do grupo e propõe um questionamento sobre sua continuidade. Durante 18 meses, a cia passou por cinco instâncias. Em Auto-retrato, reuniu-se durante quatro meses para elaborar uma forma de autorreferência. Em Espelho, três artistas convidados traduziram a companhia em suas obras. Já Solilóquio/Reencontro consistiu no isolamento individual de cada integrante, enquanto em Residências eles viajaram para imersões artísticas. 

— Quando a gente faz uma pergunta, é pra gente pulsar na questão da pergunta. Não que a gente não procure a resposta, mas a pergunta é pra você vibrar na questão. E a questão era por que continuar depois de tanto tempo e pra que, o que significa ser uma companhia de dança e trabalhar em conjunto por tanto tempo — explica o diretor.

A conclusão do projeto, com o lançamento da peça coreográfica homônima e de um livro, ocorreu em São Paulo, em agosto de 2016. Protocolo Elefante é a materialização das proposições que pautaram o projeto homônimo. A criação, a direção e a coreografia são de Alejandro Ahmed, com performances de Karin Serafin, Mariana Romagnani, Aline Blasius, Marcos Klann, Edu Reis Neto, Natascha Zacheo, Jussara Belchior e Hedra Rockenbach, que também assina a direção de trilha e iluminação.



 
 

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