"Nos reconhecemos atores sociais empenhados, em meio às dificuldades impostas por um mundo que parece ter perdido noção de si mesmo" - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica26/05/2017 | 06h01Atualizada em 26/05/2017 | 06h01

"Nos reconhecemos atores sociais empenhados, em meio às dificuldades impostas por um mundo que parece ter perdido noção de si mesmo"

O cronista Jura Arruda relata a experiência de disseminar o amor pela literatura aos estudantes de São João do Itaperiú

"Nos reconhecemos atores sociais empenhados, em meio às dificuldades impostas por um mundo que parece ter perdido noção de si mesmo" Claudia Baartsch/Especial
Jura Arruda, escritor Foto: Claudia Baartsch / Especial

Os 13 de Malschitzky 

Arrastar é um verbo transitivo direto que significa puxar atrás de si, puxar à força; enquanto o substantivo arrastão diz respeito a um esforço violento para arrastar.

Fecho o dicionário contrariado.

Não foi nada disso que aconteceu nesta semana. Não houve força, nem violência no Arrastão Literário promovido por meu amigo Donald Malschitzky em São João do Itaperiú, cidade à margem oeste da BR 101, no Litoral Norte de Santa Catarina, onde vivem aproximadamente 3.500 pessoas.

Eram sete da manhã quando cheguei ao local combinado, em frente ao Restaurante Virado no Alho, que me valeu a alcunha de "Minino Virado no Alho". A van chegou trazendo boa parte dos treze escritores convidados por Donald para invadir o município e ter com alunos e professores locais.

No local combinado, descemos e encontramos um Donald muito ansioso e com a energia de mil foliões, ao lado da secretária de Educação da cidade. Nosso entusiasta reuniu o grupo em círculo e deu as orientações, sendo a mais contundente fazer as crianças se apaixonarem pela leitura.

Ora! Dê-me os doze trabalhos de Hércules!

Seguimos. A postos, cada um dos treze de Malschitzky rompeu casca e refúgio e expuseram-se a olhares e questionamentos de crianças ávidas por histórias. Passamos o dia, almoçamos e tomamos café com as equipes das escolas, trocamos experiências e contatos, nos reconhecemos atores sociais empenhados, em meio às dificuldades impostas por um mundo que parece ter perdido noção de si mesmo.

Nos olhares compenetrados dos alunos, percebemos o brilho de quem já é apaixonado por histórias, o que nos tirou o peso da responsabilidade de meter em coração alheio o que nos toma e preenche: o amor pela literatura.No reencontro, vi nos olhares dos escritores os mesmos olhares ávidos das crianças, repletos de realização e prazer.

Solitários ourives do palavreado, sentimos que o tempo parou e as grandes questões da humanidade ficaram para depois, porque havia uma aura mágica que nos transportou a todos para um mundo melhor, construído nas páginas das histórias inventadas.

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