Carlos Adauto: Uma deformação inaceitável - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica10/05/2017 | 08h01Atualizada em 10/05/2017 | 08h01

Carlos Adauto: Uma deformação inaceitável

Carlos Adauto Vieira é presidente da Academia Joinvilense de Letras

Pelo WhatsApp de fumaça, o grande chefe Seattle, aquele que escreveu uma famosa carta ao presidente dos Estados Unidos em 1854, recusando-se a vender grande parte das terras da sua tribo, me explica por que seria também contrário a vender aquela parte da Ilha de São Francisco do Sul, a mais fotogênica das ilhas brasileiras, ou mesmo deixar que a sua paisagem fosse apenas deformada por razões de lucro.

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Ainda que o povo da ilha não se mobilizasse em favor da manutenção da sua paisagem e dos seus passatempos de pescar, velejar, tomar banho com a família e os amigos naquele mar calmo, onde as crianças podem brincar soltas sem perigos, ela faz parte da grande e genial obra da criação que nenhum homem, por mais talentoso, conseguiria reproduzir, muito menos amputar sem prejuízos irreparáveis. Sabemos que São Francisco tem inimigos naturais, como a oxidação violenta, o cupim comedor das madeiras, a indolência carijó e a despreocupação humana pela beleza inimitável da Babitonga, amada desde quando foi descoberta por Juan Díaz de Solís, isca para todos os fotógrafos e pintores, profissionais ou não, pois a sua fotogenia é natural, insuperável, mesmo já com tantas deformações e desrespeito por aqueles dos seus habitantes que só a enxergam com o brilho do ouro e do vil metal. E não se esforçam para lhe satisfazer a imutável vocação para um turismo sadio e agradável a todos.

Seus filhos nativos ou adotivos retornam sempre, pelas suas lendas e pelas suas verdades, pelo prazer que ela lhes proporciona em qualquer época, com o seu clima sempre ameno e carinhoso. Especialmente aqueles que provam a água das cariocas, portadoras de um ímã sentimental poderoso e que os traz de volta, sempre quando podem, passam anos e mais anos, constituindo-se uma forma original de saudades. E há quem não perceba isto, cego pelo brilho efêmero do vil metal, ofuscado pelo progresso que não traz bem-estar geral.

Presto uma homenagem ao amigo Rosalvo Cardoso, falecido nos idos de março, deixando uma lacuna na música de harmônica e na mecanografia, na qual era o último dos melhores em Joinville.

 
 

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