"Athayde foi um homem raro, de inabalável coerência liberal e que escrevia diariamente." - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica31/05/2017 | 08h03Atualizada em 31/05/2017 | 08h04

"Athayde foi um homem raro, de inabalável coerência liberal e que escrevia diariamente."

Escritor Carlos Adauto opina sobre biografia de Austregésilo de Athayde, que foi presidente da Academia Brasileira de Letras por mais de 30 anos

Para Paulo Roberto, fiel escudeiro, e Milton Maciel, presidente, êmulos do biografado.

Não é fácil enfrentar um livro biográfico com 810 páginas. Pois o enfrentei pela terceira vez. A primeira, quando este jequitibá que nunca se aposenta na cultura, fraternal amigo Egon Schulz, mo levou ao Hotel Porto de Paz, porque achava que eu iria gostar, em 2004. Não errou. Gostei demais. Agora, por força da Academia Joinvilense de Letras, de que me tornei presidente pela sentida morte de seu fundador Adolpho Bernardo Schneider, lembrei-me de buscar a inspiração na obra de Cícero Sandroni, ex-presidente da Academia Brasileira, sobre Austregésilo de Athayde, que a presidiu por trinta e cinco anos e faleceu aos 1994: "O Século de um Liberal", editada pela Agir.

Sandroni teria tornado a sua leitura mais atrativa se em dois volumes. Mas deve ter tido razões para a escrever e publicar em um só. Athayde foi um homem raro, de inabalável coerência liberal e que escrevia diariamente, pelos menos três artigos, criticando, políticos de qualquer nacionalidade, mesmo durante a ditadura de 1964 e as xifópagas da Argentina e do Chile, na América Latina, porque infiéis à Carta dos Direitos Humanos, subscrita por ele, em Paris, para a ONU, em nome do Brasil. Mas não as condenava só em seus artigos, sempre aplaudidos pelos democratas, como em seus discursos em qualquer solenidade. E não se constrangia em falar com os ditadores de plantão.

Era inatacável e intocável pela sua raríssima personalidade. Tanto que até uma escola de samba o homenageou com seu samba-enredo. Escrevo sob a emoção da terceira leitura para a recomendar aos acadêmicos e estudantes de letras; aos operadores de direito, aos de comunicação e aos futuros políticos. Ele faz falta no momento em que vivemos após o lulopetismo, mas pode servir de exemplo, porque sabia que diferente de encontrar caminhos era romper barreiras.

A Academia Brasileira de Letras, que ele deixou com a sua lastimada morte, é um exemplo reconhecidamente mundial. Como já o foram com as suas 35 vitórias para a presidência da instituição. Feito inigualado em qualquer outra congênere e que garantiu a ele o título de Patriarca da Cultura Nacional, deixando-nos credores de seus artigos e discursos em coletâneas.

 
 

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