Andreia Evaristo: "Neste fim de semana, enquanto muitos filhos estarão homenageando suas mães, eu preciso me redimir..." - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônica13/05/2017 | 08h01Atualizada em 13/05/2017 | 08h02

Andreia Evaristo: "Neste fim de semana, enquanto muitos filhos estarão homenageando suas mães, eu preciso me redimir..."

Escritora pede desculpas à mãe por causa das falhas e agradece pelos aprendizados e carinho transmitidos

Neste fim de semana, enquanto muitos filhos estarão homenageando suas mães, eu preciso me redimir. Quero lhe pedir desculpas, mãe, por tantas coisas que nem sempre tenho a oportunidade de fazer.

Desculpa por todas as vezes que você precisou acordar para me alimentar durante a noite, quando eu não era capaz de fazer isso sozinha. Ou pelas noites em claro quando eu precisava de remédio, quando a febre não baixava ou as dores de barriga ou estômago não me deixavam em paz.

Desculpa também, mãe, pelas crises da adolescência. Não foi fácil para mim (a transição nunca é fácil para ninguém), mas isso não significa que precisasse ser difícil para você. A teimosia, na tentativa de me autofirmar, de reafirmar minhas ideias e posições, sempre foi uma fragilidade. Você foi forte, mãe, mas não precisava ter tido seus limites testados.

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Sabe todas as vezes que você perdeu o sono, preocupada com onde eu estava, fazendo o que e com quem? Desculpa por isso também. Sei que nem sempre é fácil romper os laços que nos unem, mas, apesar de essa ser uma dor necessária ao meu crescimento, ainda assim sei que doeu (mesmo que eu não quisesse que doesse).

Não sei se consegui atender às suas expectativas. Não sei se os seus sonhos para mim foram realizados, nem se a vida me transformou na pessoa ideal que você imaginava enquanto acariciava a barriga à minha espera, ou enquanto acariciava meus cabelos à noite ao ninar o meu sono. Não sei de muita coisa, mas sei que a vida me transformou num pedaço de você. Muitas vezes, na vida, eu me pego falando as mesmas coisas que você sempre falou, repetindo gestos, carinhos, cuidados. Até nosso jeito de rir é semelhante e aquela foto antiga que eu compartilhei nas redes sociais só provam o quanto somos parecidas. Uma fotocópia autenticada.

Desculpa se nem sempre eu estou aí. Sei que você gostaria que eu fosse mais presente, mas a vida corrida me rouba um tempo precioso. O dinheiro anda curto, a crise anda grande e o corpo já não é mais daquela criança de chuquinhas e calcinha de babados correndo pela casa (embora seu coração diga que sim, meus ossos dizem que não). Mas, mesmo que eu não esteja a toda hora ao seu lado, mãe, você está sempre comigo, em tudo o que eu faço, nos meus pensamentos, nos meus genes, na minha essência. Obrigada, mãe, por tudo. Feliz aniversário e feliz Dia das Mães. Amo você.

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