"Larfiagem": filme conta história da língua criada nos anos 1950 na estação de trem de Herval d'Oeste  - Cultura e Variedades - A Notícia

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Sirne morne25/04/2017 | 03h00Atualizada em 26/04/2017 | 15h13

"Larfiagem": filme conta história da língua criada nos anos 1950 na estação de trem de Herval d'Oeste 

Curta dirigido pela artista visual Gabi Bresola será lançado nesta terça-feira, em Joaçaba, e traz depoimentos dos principais criadores do "hervalês"

"Larfiagem": filme conta história da língua criada nos anos 1950 na estação de trem de Herval d'Oeste  produção Larfiagem/Divulgação
Foto: produção Larfiagem / Divulgação

Nos anos 1950, para conseguir uns lirpias (dinheiros), comprar giriubes (gibis), falar das sormias (moças) e enganar fiscais, a polícia e os próprios pais, crianças e adolescentes que trabalhavam informalmente na estação ferroviária de Herval d'Oeste (hoje desativada) inventaram uma língua própria cujas expressões são faladas até hoje pelos habitantes da cidade do Meio-Oeste catarinense. A larfiagem, grinfia ou hervalês virou tema do curta Larfiagem, que estreia nesta terça-feira (25) na Mostra Cinema à Vista. O evento promovido pelo Sesc vai transmitir filmes e discutir o cinema produzido na região Oeste e Meio-Oeste e ocorre até sábado no Teatro Alfredo Sigwalt, em Joaçaba.

O filme tem direção da artista visual joaçabense Gabi Bresola, que se interessou pela língua ainda na escola após perceber que os meninos usavam termos diferentes para comentar sobre as outras pessoas. Em sua origem, a larfiagem também era usada para o mesmo fim: falar dos outros sem que eles entendessem o que estava sendo dito. Os personagens, que hoje têm entre 60 e 70 anos, engraxavam sapatos, ajudavam os viajantes a carregar as malas, nadavam no Rio do Peixe e faziam peraltices – o que, às vezes, irritava os policiais e fiscais e intrigava os adultos.

— Tudo se passava ao redor da estação ferroviária. O trem era muito importante para Herval. A língua surgiu nesse contexto, para que crianças pudessem driblar os fiscais para poder trabalhar, sobreviver, comprar gibis e falar dos outros. Com o passar do tempo ela se alastrou, e nos anos 60 dizem que todo mundo falava. Por ser uma língua oral, sofreu muitas transformações com o tempo. As palavras iam sendo alteradas conforme as pessoas iam entendendo seus significados. Hoje, muitas pessoas falam sem nem saber de onde vem — explica Gabi.

Assista ao trailer:

Larfiagem | trailer from Ombu on Vimeo.

O filme, vencedor do Prêmio Catarinense de Cinema 2013, traz depoimentos dos principais criadores da língua que levam o espectador de volta ao universo particular que criaram quando crianças, como o barbeiro Tomaz Pereira, o Torresmo, que é da segunda geração do grupo e "larfeia" com os clientes; e Alcari Schizzi, o Curinga ou Rustinga, falecido depois das filmagens, que traduziu diversas marchinhas de carnaval.

— Quando a gente foi gravar, todo mundo queria ser "dono" da língua. Tem essa disputa mas também tem um carinho muito grande por ela. Não tem como falar de Herval sem falar da estação e da larfiagem — diz a diretora.

 O barbeiro Tomaz Pereira (Torresmo), da segunda geração do grupo, larfeia com o cliente Bruno Rogério Espada Foto: Reprodução

Pequeno glossário da larfiagem
Mirco = eu
Voresque = você
Sormia = moça
Urco = um
Zordio = dois
Trocare giriube = trocar gibi
Minercio = cinema
Rompe com larciame = pão com salame
Sirne morne = sim, cara (usado como cumprimento)

Agende-se
Lançamento do curta Larfiagem, de Gabi Bresola
Quando: terça-feira (25), às 19h30min
Onde: Teatro Alfredo Sigwalt (Rua Roberto Trompovski, 63, Joaçaba)
Quanto: gratuito

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