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Sequências para a história15/11/2016 | 07h00Atualizada em 16/11/2016 | 12h44

Série de TV da Casa de Cinema de POA disseca clássicos brasileiros

"Grandes cenas" estreia nesta quarta-feira no canal Curta!

Série de TV da Casa de Cinema de POA disseca clássicos brasileiros Reprodução/Reprodução
A Pietá de Marília Pêra e Fernando Ramos da Silva em "Pixote" (1981) Foto: Reprodução / Reprodução

São muitos os filmes que se eternizam na memória coletiva fragmentados em cenas capazes de estenderem sua força e beleza ao conjunto todo. Como a câmara em movimento que circunda Norma Bengell em Os cafajestes, a anárquica cerimônia de coroação de Terra em transe ou a galinha em fuga de Cidade de Deus. Na série Grandes cenas, que o canal por assinatura Curta! estreia nesta quarta-feira, às 23h45min, serão analisadas a cada semana sequências antológicas do cinema latino-americano.

O ator Matheus Nachtergaele é o mestre de cerimônias dos 22 episódios semanais com cerca de 18 minutos cada. No primeiro, o diretor Hector Babenco, em depoimento registrado pouco antes de sua morte, em julho passado, fala sobre como concebeu o maternal quadro ilustrado por Marília Pera e Fernando Ramos da Silva em Pixote, a lei do mais fraco.

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Grandes cenas é uma realização da Casa de Cinema de Porto Alegre, com direção de Ana Luiza Azevedo e Vicente Moreno. O projeto teve origem no núcleo criativo da produtora e levou pouco mais de um ano entre o início da produção e sua finalização.

– Discutíamos no núcleo como andam raras as grandes cenas no cinema e na TV do Brasil e também os conceitos estéticos e dramatúrgicos que constituem uma grande cena, da atuação à construção da mise en scène – conta Ana Luiza. – Pensamos na série a partir de uma ideia lançada por Jorge Furtado (sócio de Ana na Casa de Cinema). Existem muitos programas dedicados à análise de filmes e de diretores, mas nenhum com esse foco. Levamos à proposta ao Curta!, que a abraçou e propôs que abríssemos a análise ao cinema latino-americano.

Foram então incluídos entre os 22 longas-metragens a serem dissecados –
12 deles na primeira temporada da série (veja a relação abaixo) – quatro títulos argentinos e um uruguaio. O processo de seleção dos filmes nacionais teve de deixar pelo caminho obras cujos direitos autorais têm negociação complexa, como O pagador de promessas e Vidas secas.

– Estabelecemos como critério não avançar além do chamado fim do processo de retomada da produção nacional e selecionar filmes que tivessem integrantes da equipe para falar sobre eles – explica Moreno. – O longa mais recente é Cidade de Deus, de 2002, e o mais antigo é Os cafajestes, de 1962. Procuramos também combinar cenas que são incontornáveis com outras não óbvias, que se destacam por aspectos aparentemente não tão evidentes. O (diretor) Bruno Barreto, por exemplo, ficou feliz com nossa opção por uma sequência de
O romance da empregada, e não do sucesso Dona Flor e seus dois maridos.
O (cineasta argentino Juan José) Campanella gostou de falar sobre O clube da lua, e não sobre o oscarizado O segredo dos seus olhos.

A estrutura de cada capítulo traz uma análise conceitual e técnica da cena feita por alguém diretamente envolvido na sua realização (diretor, ator, roteirista, fotógrafo, montador), seguida por sua exibição na íntegra. Os depoimentos foram registrados em Porto Alegre, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Buenos Aires.

Ana Luiza destaca ainda, para além da análise formal, a ligação emocional dos entrevistados com as cenas recordadas:

– Ao rever sua personagem em Eles não usam black-tie, Fernanda Montenegro lembrou da amizade com o (diretor) Leon Hirszman e o (ator) Gianfrancesco Guarnieri (ambos falecidos), do contexto afetivo e político ali envolvidos.

Essa primeira leva de 12 episódios traz outros dois filmes argentinos: O pântano, de Lucrecia Martel, e O guardião, de Rodrigo Moreno. Entre os próximos 10, ainda sem data de exibição prevista, está outro argentino, Abutres, de Pablo Trapero, e o uruguaio Whisky, de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, ambos analisados por seus diretores. Da seleção nacional, serão discutidos mais adiante, entre outras, produções referenciais com São Paulo S.A., de Luis Sérgio Person, e Central do Brasil, de Walter Salles.

Norma Bengell na clássica cena de nu frontal de "Os cafajestes" (1962), de Ruy Guerra Foto: Reprodução / Reprodução

Os 12 primeiros episódios:

Pixote, a lei do mais fraco (1981)
O diretor Hector Babenco fala sobre o simbolismo da cena em que a prostituta vivida por Marília Pera, como uma trágica Pietá, conforta o pequeno marginal vivido por Fernando Ramos da Silva. Exibição amanhã.

Cidade de Deus (2002)
Bráulio Mantovani, roteirista, e César Charlone, diretor de fotografia, falam sobre o processo de concepção e execução da sequência que abre o filme de Fernando Meirelles, com a corrida da galinha que apresenta cenários e personagens da história. Dia 23/11.

Copacabana me engana (1968)
O diretor Antônio Carlos da Fontoura fala sobre a cena do retorno de Alfeu (Paulo Gracindo) ao apartamento de Irene (Odete Lara), momento emblemático na trama sobre a mulher que trai o companheiro com homem mais jovem.
Dia 30/11.

Clube da Lua (2004)
Juan Campanella, diretor do longa argentino, disseca a mise en scène e a proposta dramatúrgica da cena com o personagem de Ricardo Darín nu do banheiro diante da mulher, do filho e de um amigo, situação que combina humor e constrangimento. Dia 7/12.

Os cafajestes (1962)
O diretor Ruy Guerra revela as razões para filmar o longo travelling circular na praia com Norma Bengell nua, plano que expõe a personagem e o espectador ao desconforto. Dia 14/12.

Eles não usam black-tie (1981)
Fernanda Montenegro e o montador Eduardo Escorel comentam a cena em que a atriz está à mesa com Gianfrancesco Guarnieri, e os significados buscados na imagem pelo diretor Leon Hirszman. Dia 21/12.

Iracema, uma transa amazônica (1976)
Jorge Bodanzky e Orlando Senna, diretores do longa que estreitou os limites entre ficção e documentário, falam sobre a cena final, com a partida do caminhoneiro Tião (Paulo César Pereio). Dia 28/12.

O pântano (2001)
Guido Berenblum, técnico de áudio do longa de Lucrecia Martel, detalha a criação da cena da piscina e fala sobre a importância que a diretora argentina dedica ao desenho de som para construir a atmosfera narrativa de seus filmes. Dia 4/01.

Romance da empregada (1988)
O diretor Bruno Barreto e a atriz Betty Faria lembram a complexa realização da cena final, que demandou três locações distintas para filmar os diferentes estágios da enchente. Dia 11/01.

Bicho de sete cabeças (2000)
A diretora Laís Bodanzky compartilha suas inquietações ao conceber a sequência da fuga do personagem de Rodrigo Santoro, jovem internado pelo pai em um manicômio por fumar maconha. Dia 18/01.

Terra em transe (1967)
A antológica cena da coroação do déspota vivido por Paulo Autran na obra-prima de Glauber Rocha é analisada pelo montador Eduardo Escorel e pelo diretor de fotografia Luiz Carlos Barreto. Dia 25/01.

O guardião (2006)
O diretor argentino Rodrigo Moreno expõe, a partir da cena do aniversário, o processo de criação e encenação que estimula a liberdade no set e o fluxo de interpretação dos atores no filme que tem como protagonista o segurança de
um ministro. Dia 1º/02.

 
 

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