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Uhuru17/11/2016 | 13h17

Mulheres palestram sobre feminismo negro em Joinville

Atividade abre a Semana da Consciência Negra do Movimento Negro Maria Laura

Mulheres palestram sobre feminismo negro em Joinville Nani Cabral/
Cristiane Mare da Silva, coordenadora de mulheres da Unegro, é uma das convidadas do evento Foto: Nani Cabral
Alex Sander Magdyel

alex.cardoso@an.com.br

A Uhuru - Semana da Consciência Negra do Movimento Negro Maria Laura, de Joinville, começa nesta quinta-feira e segue até o próximo domingo (20). Para abrir o evento, o movimento convidou três mulheres para falar sobre feminismo negro.

Todas as atividades do evento serão realizadas na Sociedade Kenia Club, no bairro Itaum, zona Sul da cidade. A palestra, com início às 19 horas, contará com a presença de Jeruse Romão, Cristiane Mare da Silva e Stephanie Ribeiro. A entrada é gratuita e não há a necessidade de retirada de ingressos.

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Gabriela Queiroz, estudante de direito e militante do Movimento Negro Maria Laura, explica a necessidade de fazer estes dois recortes: o de gênero e o racial.

— O feminismo que não se atenta para as especificidades de cada grupo feminino acaba atuando sob omissão. Enquanto as mulheres brancas buscavam equiparar direitos civis com homens brancos, as mulheres negras carregavam o peso da escravatura e estavam em posição de subordinação e posição servil perante às mulheres brancas. As necessidades das mulheres negras são muito peculiares e sem uma profunda análise do racismo brasileiro é impossível atender às urgências do grupo. O objetivo do feminismo negro é nivelar seu lugar ao lugar das mulheres brancas —, afirma.

De acordo com Gabriela, mais de 500 pessoas são esperadas durante os quatro dias de evento. Ela explica que Uhuru, que dá nome à Semana da Consciência Negra, é uma palavra africana que significa liberdade.

— Nosso maior desejo é poder festejá-la, pois vivemos em uma sociedade radicalmente injusta. Enquanto a voz de cada um não contar por igual, não se pode dizer que somos livres —, defende a militante.

"Falta muito, mas não podemos retroceder naquilo que já conquistamos", diz Samuel de Paula Gomes, militante dos movimentos negro e LGBT

Cristiane Mare da Silva, coordenadora de mulheres da União de Negros pela Igualdade (Unegro), destaca um dado importante sobre a violência no Brasil. De acordo com o Mapa da Violência de 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), o número de homicídios de mulheres brancas no País caiu de 1.747 vítimas, em 2003, para 1.576, em 2013. Isso representa uma queda de 9,8% no total de homicídios. No mesmo período, o registro de homicídios de mulheres negras aumentou 54,2%, passando de 1.864 para 2.875 vítimas. Para Cristiane, este é um dos dados que justifica a necessidade de discutir as questões raciais e de gênero.

— Quando você não coloca a questão de gênero na discussão do movimento negro você deixa de abordar uma questão muito importante. Quando o movimento feminista deixa de discutir a questão racial você tem um silenciamento de vozes. São vozes que não vão ser contempladas. São várias pautas que tem a ver com as experiências de ser mulher e negra. Os movimentos sociais que querem estar mais próximos da população precisam ouvir essas pessoas. O feminismo negro também tem que discutir a classe social e a orientação sexual. O feminismo negro é uma luta histórica, mas que vem ganhando cada vez mais força por conta dessas necessidades —, afirma Cristiane.

Para a militante, quanto menor a condição social, maior a fragilidade das mulheres.

— É a negligência do Estado que vai permitir que essas mulheres sejam assassinadas. No Brasil, o que nós temos é a criminalização da pobreza. E não há possibilidade falar de classe sem falar de raça —, defende. 

"Foco no que é positivo e no carinho das pessoas", diz MC Carol

A escritora e ativista feminista negra Stephanie Ribeiro também participa do evento nesta quinta-feira e fala sobre suas experiências. Para ela, enquanto houver racismo é preciso falar muito sobre o assunto e sempre que possível. Ela acredita que há muitas pessoas com situações parecidas com a dela e que não conseguem expor. 

— A sociedade brasileira não está acostumada com a mulher negra tendo voz.



Para Stephanie, o racismo deveria ser mais abordado na universidade. Ela é estudante de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, onde relata que já sofreu ataques racistas.

— Quando entrei na PUC não tinha muita noção dos movimentos políticos, nem de raça, gênero ou de classe. Isso só foi despertado quando percebi que eu era a única aluna negra da sala. Depois, quando uma menina desistiu, eu era a única do curso. Eu também era uma das poucas que questionava algumas questões, como vagas de estágio só para homens ou só para mulheres. Houve agressão, alguns chegaram a pichar meu armário, mandaram mensagens me chamando de macaca, de preta feia, estes tipos de mensagem — lembra Stepanhie. — Eu me sinto bem de saber quem eu sou e porque algumas coisas acontecem ou aconteceram. Não é um posicionamento muito confotável você ser ativista, você ter consciência. Não é fácil, é um processo doloroso.

Confira a programação da Uhuru - Semana da Consciência Negra:

17 de novembro, quinta-feira, às 19 horas:
Feminismo Negro, com Jeruse Romão, Cristiane Mare da Silva e Stephanie Ribeiro

18 de novembro, sexta-feira, às 19 horas:
Ser mulher negra no Brasil hoje: desafios e perspectivas, com Luana Tolentino
O negro na publicidade, com Felipe Cardoso
Surdo negro, com Gabriel Marcolino da Silva

19 de novembro, sábado, às 22 horas:
Um Baile Bom: espaço de afirmação e empoderamento da identidade negra
Ingressos a R$ 25 pelo site www.sympla.com.br

20 de novembro, domingo, às 16 horas:
Lançamento do CD Próxima Estratégia do rapper Ukah e show com Sandrão RZO
Ingressos entre R$ 20 e R$ 30 podem ser adquiridos na loja Brixton, na rua Princesa Isabel, 259. No dia do evento, os ingressos serão vendidos no local do show por R$ 40
Leia mais: Lucas "Ukah" Silva lança o primeiro disco solo

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