Ciclo Internacional de Compositoras mostra o potencial criativo e musical das mulheres de Santa Catarina - Cultura e Variedades - A Notícia

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Música18/10/2016 | 09h18Atualizada em 18/10/2016 | 10h08

Ciclo Internacional de Compositoras mostra o potencial criativo e musical das mulheres de Santa Catarina

Mostra não competitiva, gratuita e aberta ao público ocorre de terça (18) até o dia 22 em Florianópolis

Ciclo Internacional de Compositoras mostra o potencial criativo e musical das mulheres de Santa Catarina Leo Munhoz/Agencia RBS
Da esquerda para direita, as artistas Silvia Abelin, Gracie Faraco, A Nêga, Renata Swoboda, Ivanna Tolotti e Cláudia Ramos Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Quantos poemas e resquícios de canções guardados em gavetas devem existir, à espera de um dia serem desengavetados e, quem sabe, possam virar letra em música?  Sufocados por vergonha ou por falta de espaço mesmo, composições de tantas mulheres agora livram-se do mofo para encontrar voz e público. No primeiro Sonora Ciclo Internacional de Compositoras, 33 mulheres compositoras e intérpretes de Santa Catarina apresentam suas criações e conversam sobre gênero e música a partir de terça (18). A mostra não competitiva, gratuita e aberta ao público ocorre até o dia 22 em Florianópolis.

O ciclo será dividido em dois dias de shows, hoje e amanhã, no Teatro Pedro Ivo; fóruns temáticos, na quinta (20) e na sexta (21) no Museu da Escola Catarinense (Mesc); e mostra de documentários e videoclipes com bate-papo com diretores no sábado (22), na Fundação Cultural Badesc. A banda Cores de Aidê encerra o festival com uma apresentação no jardim da Fundação e de lá parte em cortejo sonoro até a Praça XV de Novembro, no Centro.

O Sonora Ciclo Internacional já realizou mostras em 26 cidades na Argentina, Brasil, Espanha, Irlanda, Portugal e Uruguai. Florianópolis foi a cidade com o maior número de inscritas e a novidade: participação também de intérpretes.

— Não sou compositora, mas gostaria de conhecer e cantar o trabalho delas. Até porque intérprete é um agente multiplicador e muitas compositoras não cantam suas canções — diz a cantora A Nêga, 28 anos, conhecida nas noites da Capital por seu trabalho com voz e violão.

Muito além de mostrar o trabalho de tantas artistas, ainda que muitas delas não se reconheçam como tal, a proposta do Ciclo é também mapear e fortalecer as mulheres compositoras do Estado.

— Viemos da cultura do criador. Sempre o homem. A gente tem dificuldade de ocupar nosso espaço e a mostra foi criada para dar visibilidade e mostrar o que fazemos — diz a guitarrista e produtora Ivanna Tolotti, 38 anos.

— Tudo isso está relacionado com a história ocidental. O espaço público era proibido para as mulheres. E a figura do compositor sempre esteve associada ao poder do homem. Mas existiram muitas mulheres compositoras, desde a Grécia, só que não eram tocadas — conta a violoncelista Camila Durães, 32 anos, uma das organizadoras do Sonora na Capital.

|| Conheça o trabalho de Dandara Manoela:

Só na virada do século 20 é que essa situação começou a mudar no Brasil com Chiquinha Gonzaga (1847 - 1935), muito embora de lá para cá poucas mudanças ocorreram.

— E na música erudita é ainda mais devagar.

 #MulheresCriando

O Sonora Ciclo Internacional de Compositoras começou de forma despretensiosa, depois que a compositora mineira Deh Mussulini, integrante do Coletivo Ana, lançou a hashtag ¿mulheres criando¿. Inspirada pela campanha, a compositora Larissa Baq, de São Paulo, propôs a criação de um festival de compositoras. A ideia se espalhou e multiplicou rapidamente pelas redes dando início ao movimento, inclusive com o engajamento de artistas brasileiras que moram fora do país. Na Capital, o festival será financiado coletivamente por meio de campanha na plataforma Vakinha que segue até o dia 25 deste mês.

Além das apresentações, os fóruns temáticos propõem rodas de conversa em torno de temas como educação musical e gênero, acessibilidade às composições de mulheres e representatividade das mulheres da música em Santa Catarina.

|| Ouça o pop alternativo de Renata Swoboda:

No último dia, uma oportunidade de assistir a dois documentários: Mawaca, um resgate sobre a trajetória do grupo musical paulista formado por oito cantoras, e Ah que Saudade da Neide Maria Rosa, sobre a vida da cantora Neide Mariarrosa. Na sequência, serão exibidos videoclipes de artistas catarinenses.

|| Clique nos nomes e conheça o trabalho das compositoras catarinenses:
Ana Paula da Silva
Tatiana Cobbett
Luana Mockffa
Tânia Meyer
Iara Germer
Susi Brito 

AGENDE-SE

O quê: Sonora Ciclo Internacional de Compositoras
Quando: terça (18) a sábado (22)
Onde: Teatro Pedro Ivo (Rod. SC-401, 4.600, Saco Grande), Mesc (Rua Saldanha Marinho, 196, Centro), e Fundação Cultural Badesc (Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro)
Quanto: gratuito
Informações na página do projeto. 

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