Andrey Lehnemann: veja quais são os melhores e os piores filmes com temática espiritual - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crítica29/09/2016 | 14h10Atualizada em 29/09/2016 | 17h18

Andrey Lehnemann: veja quais são os melhores e os piores filmes com temática espiritual

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Os atores Hugh Jackman e Rachel Weisz em cena do filme "Fonte da Vida" Foto: Ver Descrição / Ver Descrição
Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

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É fácil imaginar que a temática espírita no cinema se aproprie de filmes evangelizadores, de culto e que pouco tem a discutir a arte em si. Embora seja um preconceito tolo, a história nos mostrou que longas-metragens desastrosos como Nosso LarQuem Somos NósO SegredoConversando com Deus e tantos outros caminhavam para a tela com um objetivo único: catequizar novos adeptos à sua mensagem e continuar alimentando a esperança de quem já havia embarcado nesse mundo.

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O cinema, no entanto, nunca se restringiu a um único tom e nem mesmo a celebração do pós-vida ou da nossa passagem pela terra, caso abraçarmos a ótica deísta. Mas "a alma é a causa, para os espiritualistas, não o efeito", dizia Allan Kardec. E é assim que as narrativas que entravam na temática espírita e existencial não se limitavam na ficção à pregação, mas, sim, em construir  ideias que gerassem o debate sobre alma e corpo, design e evolução, criador e criatura.

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Na ficção científica, por exemplo, o terreno nos mostrou alguns dos melhores exemplares do gênero. O último deles, talvez, seja A Viagem, de 2012, que exatamente envolvia a sua história espírita com uma humildade tocante, na qual todos eram iguais e o preconceito evidenciado no filme era sempre motivo de chacota e consequências trágicas. Star Wars, igualmente, sempre se apropriou desse retrato, com os antepassados de personagens os ajudando em momentos cruciais da trama – o mesmo com o último Harry Potter.

Ainda no gênero sci-fi, Matrix é um exemplo claro construído pelos Wachowski e que dialoga continuamente entre mundos, onde estamos interligados um com os outros, algo que foi usado também em Sense8, em sua própria forma. A Outra Terra, de Mike Cahill, também flertava com esse contraste. Donnie Darko brincava com a perspectiva filosófica de estar, mas não estar aqui, ao mesmo tempo. 

Alta Frequência debatia épocas diferentes que insidiam na realidade. K-Pax: O Caminho da Luz transformava o caminho individual do personagem de Kevin Spacey numa visão macro sobre fé e solidariedade.  Outros mais taxativos, tal qual Poder Além da VidaAlém da Vida, Amor Além da Vida e Cidade dos Anjos, recaíam sobre os erros da visão periférica.

Em compensação, o cinema nos recompensa com A Felicidade Não Se Compra, de Frank Capra, uma visão extremamente otimista em contraponto da ganância; 2001: Uma Odisseia no Espaço, o filme mais místico de Kubrick; A Árvore da Vida, de Malick, tornava cúmplice razão e fé, colocando a própria bagagem espiritual de seu espectador como centro maior de seu filme; O Homem da Terra, de 2007, adentrava o mundo de mitos numa abordagem atípica; Em Algum Lugar do Passado, um drama estrelado por Christopher Reeve, também resgatava o amor como ponto central; Minha Vida na Outra Vida é baseado em relatos biográficos; na comédia, O Céu Pode Esperar, de Warren Beaty; no terror, O Sexto SentidoOs Outros e O Mistério da Libélula advogam sobre antepassados e a nossa falta de resolução com o presente; enquanto Asas do Desejo, de Wim Wenders, e Fonte da Vida, de Darren Aronofsky, entram na seleta lista de melhores filmes com a temática. Nenhum dos dois se ancora na necessidade de vender sua mensagem espiritual, mas ao existencialismo eterno – a nossa busca por não se sentir sozinho, nossa fragilidade como seres humanos (ou não) e as consequências de nossos atos.  

Afinal, a moral, a esperança, a busca pela descoberta do pós-vida e nossa concepção sobre o futuro não são exclusivos de teologias deístas. Elas passeiam pelos mais variados campos da filosofia, da literatura e do cinema. Mostrando que, para querer entender o tudo, basta estar vivo. 



 
 

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