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Música e arte30/03/2016 | 07h31

Cantora joinvilense Ana Paula da Silva completa 20 anos de carreira

Compositora se sente uma operária de sua arte, incansável em sua jornada

Cantora joinvilense Ana Paula da Silva completa 20 anos de carreira 1/Agencia RBS
Para Ana, sobram talento, motivação e crença de que o suor vale a pena em nome da música Foto: 1 / Agencia RBS

É fim de show e Ana Paula da Silva se despede da pequena plateia, não sem antes oferecer CDs seus cuidadosamente acomodados em uma cesta. Quando o último fã vai embora, ela ainda tem muito o que fazer – desplugar cabos, juntar partituras e suportes, guardar instrumentos nos cases, reunir equipamento de som e guardar tudo no porta-malas do carro.

Sem roadie, assistente ou empresário, Ana está acostumada a cuidar de cada detalhe de seu trabalho artístico, o que inclui “pegar no pesado” após as apresentações. Glamour não há, mas sobram talento, motivação e crença de que o suor vale a pena em nome da música. É assim há 20 anos, e, mais do que nunca, a cantora e compositora de Joinville se sente uma operária de sua arte, incansável em sua jornada, presa apenas ao soar de notas, melodias e palavras.

Curiosamente, a primeira paixão de Ana foi a dança, que ocupou sua vida até a adolescência. Música, porém, sempre habitou a casa, nos sambas entoados pelo pai e pelos irmãos, autodidatas como ela, que aprendeu os primeiros acordes aos 12 anos, tendo só as velhas revistinhas de partituras à frente. Afora alguns cursos e oficinas, a sala de aula foi a estrada.

— A coisa teórica é importante, mas ela não define a personalidade da sua arte. A minha experiência veio de tocar à noite em bares, participar de festivais, conhecer as pessoas e viajar, sair do meu quintal — enumera Ana, que começou a tocar profissionalmente aos 16 anos.

Depois de quatro anos, ela deixou a parceria com Juninho Salves e passou a acompanhar a si própria no violão, o que a lançou também no mundo das composições autorais. Tendo a música popular brasileira como referência máxima e permanente, Ana foi fazendo de cada disco uma impressão do momento pelo qual estava passando.

Quando em 2006 lançou Canto Negro e Por Causa do Samba, ela já morava havia dois anos na Áustria, para onde foi a convite do músico Alegre Corrêa. A recepção foi tão boa que Ana volta regularmente ao país, normalmente amparada por shows em outras terras europeias.

O ano de 2006 também marcou uma virada radical na vida de Ana: o nascimento da filha, Clara. Além da óbvia mudança na rotina e nos horizontes, a menina levou a mãe para novos caminhos musicais, como os arranjos do disco/livro Contos em Cantos (2009), ao lado do ator e escritor Humberto Soares.

Ainda em 2009, o Prêmio Pixinguinha permitiu a produção do disco Aos de Casa, um passaporte para o trabalho de Ana Paula ficar mais conhecido, algo convertido em turnês regulares.

Na Argentina, onde morou por um ano e fez mais de 40 shows, encantou-se pela independência e iniciativa dos colegas hermanos, o que a motivou a produzir o festival Aldeia de Todos os Cantos em Joinville, um intercâmbio entre músicos latinos que teve três edições entre 2013 e 2015.

— A arte independente possibilita ao público incentivar a música que ele gosta e ter um contato mais próximo com o artista — reflete Ana.

Liberdade criativa é, de fato, um tema caro à joinvilense. Ana nunca correu atrás de gravadora, por exemplo. Ela é seu próprio empresário, produtor e roadie. Da foto da capa do disco aos detalhes de cada turnê, tudo passa por seu crivo, e nada acontece sem que tenha total confiança naquilo que está fazendo.

— O meu canto é a minha própria asa — justifica, sem, no entanto, descartar a possibilidade de vir a contar com alguém que a ajude nas questões fora do âmbito puramente artístico.

— Tem muita seriedade no meu trabalho, tenho um respeito enorme pela música.

Tal deferência por sua arte chega a um ponto culminante com Raiz Forte, disco que sai agora, cinco anos após o Pé de Crioula e três após o songbook com suas composições organizado pela pianista Marisa Toledo, algo que lhe indicou a plenitude como autora.

É também o carimbo sonoro, à base de voz e violão, de um amadurecimento por estes 20 anos de carreira, sendo dez visitando regularmente a Europa, para onde voltará em maio.

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