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Variedades12/09/2014 | 06h03

Mercado de antiguidades e artigos vintage ganha força em Joinville

Programas de TV ajudaram o segmento a virar febre na cidade

Mercado de antiguidades e artigos vintage ganha força em Joinville Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS


Até pouco tempo, Pablo Lemke era um exemplo de continuação dos negócios da família, no caso, um escritório de contabilidade, ao qual se dedicou por 18 anos.

Em 2014, abraçou exclusivamente a venda de antiguidades, peças colecionáveis e afins em um grande cômodo de sua casa, no bairro Glória, em Joinville. Lemke seguiu seu coração, mas a mudança de ramo veio principalmente de uma espetacular efervescência deste segmento em Joinville, o que tem feito comerciantes, especuladores, colecionadores e os nostálgicos em geral se alvoroçarem como nunca.

É quase unânime a opinião de que a origem dessa febre está no sucesso de programas como Caçadores de Relíquias, Trato Feito e Caos, exibidos na TV a cabo. Associado às facilidades de encontrar produtos na internet, o segmento aqueceu vertiginosamente nos últimos cinco anos na cidade.

O número de brechós e lojas de antiguidades cresceu, a percepção do valor das coisas "velhas" que as pessoas tinham em casa mudou, objetos vintage ganharam novo status entre decoradores e o comércio aumentou dos dois lados (oferta e procura). Até nas feirinhas mensais, organizadas pela Prefeitura, as barracas de antiguidades ficaram mais perceptíveis - são quatro na da rua do Príncipe e cinco na da Estação da Memória.

- O pessoal começou a ficar muito saudosista, percebeu que a era digital não é tudo aquilo. O legal disso é que a gente faz um trabalho de resgate das coisas de Joinville, fotografia, móvel, tem muito indo para o lixo - decreta Jean Carlos Martins, dono de um brechó que ocupa um imenso galpão na avenida Beira-rio.

No ramo há 17 anos, ele notou um crescimento nos últimos quatro, com o colecionismo de vinis, selos e moedas explodindo para motos, carros e bicicletas e conquistando aficcionados ainda na infância.

- Há coleções para todos os gostos e bolsos - diz Martins. Mas ele alerta: o momento é bom para quem quer se desfazer de peças antigas, mas por um valor justo. - Não adianta jogar o preço lá em cima, porque não gira, e aí vira museu.


Memória da cidade

Museu é como muitos chamariam o vasto acervo que Pablo tem em casa, uma infinidade de peças que inclusive passa pela história de Joinville, um foco de seu interesse. Para renovar constantemente as prateleiras, ele faz incursões semanais pela região atrás de "novos" materiais.

- Nesses garimpos eu consigo muita coisa que as pessoas jogam no lixo. Elas ainda guardam, mas de forma inadequada. E os jovens, quando os pais e avós morrem, querem mais é se livrar - conta Lemke, que, ao lado da mulher, vem se dedicando também a restaurar móveis antigos, especialmente dos anos 50.

- Joinville ainda tem muito sótão cheio de coisa, não tenho dúvida disso - dispara Martins.

É uma opinião diferente da de Eduardo Zastrow, especializado em venda de móveis antigos. Segundo ele, o mercado para compra de peças em Joinville está no limite, justamente por causa dessa explosão de interesse. E, junto com ela, aumentou a especulação dos artigos ditos antigos ou raros.

- Há três ou quatro anos, você ia para o interior e as pessoas quase te davam o produto. Hoje, eles pedem mais do que você venderia na loja - afirma, Zastrow, que viu a demanda aumentar por diversos fatores, do puro saudosismo à moda da decoração vintage, passando pela onda de encanto gerada pela TV.


Decoração: muita oferta, pouca procura

Otto Francisco de Souza não começou ontem a trabalhar com antiguidades. Há quase 30 anos no ramo em Joinville, conhecedor do assunto (é formado em história da arte), ele tem experiência suficiente para perceber oscilações em seu segmento. E recentemente elas têm vindo de uma única direção.

- Vendedores têm aparecido bastante, mas compradores, poucos. Motivo: qualidade - afirma o dono de um antiquário no Centro, especializado em móveis e objetos de decoração.

Otto só trabalha com peças únicas e em perfeito estado. Lascadas ou incompletas perdem valor de imediato, mas têm espaço em brechós, que acabam recebendo artigos de todo tipo e por um preço muito menor. Vem daí uma das razões para os brechós anotarem um movimento mais intenso.

O comerciante também rompe com a noção de que há uma crescente tendência entre os mais jovens de se desfazerem de peças antigas. Segundo ele, filhos e netos passaram a valorizar mais objetos herdados dos antepassados, e se livram deles apenas em situações de necessidade.

- Eu parto do pressuposto de que quando há uma oferta grande, há uma crise financeira - sugere.


Vinil até como investimento

Há poucos meses, Jackson da Silva trocou uma sala que dividia com o sócio por uma casa inteira na rua 15 de Novembro, onde agora dispõe de um espaço bem maior para oferecer discos de vinil para a clientela, que não para de crescer.

O espaço físico maior é reflexo do redescobrimento de uma mídia cujas vendas aumentam exponencialmente ano a ano, mesmo com os preços subindo na mesma medida - o que se deve justamente a essa farte procura.

- Tem gente comprando inclusive para investimento, lotes inteiros de discos para revender futuramente - revela Silva, ressaltando que a onda tem levado à valorização inclusive dos velhos aparelhos de som 3 em 1.

Jackson começou vendendo bolachões e brinquedos clássicos em 2010, em uma barraca montada na feira da Estação da Memória. Nos últimos dois anos, porém, ele percebeu uma procura insana por artigos antigos, peças vintage, estimulados pelos programas que o History Channel leva ao ar.

- As pessoas viram que as coisas que tinham em casa tinha valor - descreve.


Movidos pela curiosidade

Os discos de vinil foram a porta de entrada de Marcio Silva para o universo das antiguidades. Fã convicto de peças vintage, o DJ de 36 anos frequenta sebos e brechós há mais de uma década, e as visitas a eles o fizeram começar outras coleções (relógios, gravadores, chaveiros, bolachas de copa), inclusive de toca-discos, seu ganha-pão. Marcio frequenta brechós semanalmente, e dificilmente sai de mãos vazias.

- De um tempo para cá, Joinville virou uma cidade boa para este nicho - aprova ele, que se diz autenticamente interessado nas histórias que existem por trás dos artigos que coloca as mãos.

Pablo Lemke também era um colecionador bem antes de se tornar comerciante. Aficionado por carros, ele começou colecionando miniaturas e, anos depois, passou para peças automobilísticas, até ter seu próprio veículo antigo. Hoje, mesmo com a conotação comercial, exulta ao descobrir qualquer objeto que oculte alguma história, especialmente se estiver ligado a Joinville.

- O que mais me atrai é a curiosidade por trás dele, a história, o design. Até comparado com os produtos atuais, a diferença é gritante. Há também muita gente buscando objetos de sua infância, como brinquedos e videogames. As pessoas se satisfazem (ao tê-los novamente) - nota.

Pontos de encontro

Galpão Cultural, av. Beira-rio, 911, Centro
Brechó de Antiguidades, av. Beira-rio, 911, Centro
Coisas Du Baú, rua 15 de Novembro, 1.943, Centro
Jack Coleções, rua 15 de Novembro, 1.943, Centro
Antiquário Cristina, rua Pastor Fritz Buhler, 100, Centro
BJ Antiguidades, rua São Paulo esquina com rua Babitonga, Floresta
Pé Pablito Vintage, rua Aquidaban, 952, fundos, Glória
John Reis, rua Sacadura Cabral, 638, Saguaçu
Móveis Paulista, rua Guanabara, 2.348, Fátima

Visite também o grupo Antiguidades de Joinville no Facebook.

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