Darlene superou as limitações para realizar o sonho de fazer faculdade

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Além dos desafios27/09/2013 | 19h26

Darlene superou as limitações para realizar o sonho de fazer faculdade

Ela se forma no curso de Design de Moda no fim de 2013

Cláudia Morriesen

claudia.morriesen@an.com.br

Darlene superou as limitações para realizar o sonho de fazer faculdade Salmo Duarte/Agencia RBS
Exemplo de superação, Darlene estuda tecelgam para fazer o trabalho de conclusão de curso de Design de Moda Foto: Salmo Duarte / Agencia RBS
Das mãos de Darlene sempre saíram tesouros. Aos nove anos, ela já fazia crochê, seguindo os ensinamentos da família. Nos últimos anos tratou de, finalmente, conquistar mais técnica, compartilhar conhecimentos e fazer seus tesouros crescerem.
Atualmente, aos 43 anos, Darlene espera com expectativa o momento em que tudo isso será reconhecido: quando receber a aprovação no trabalho de conclusão de curso da faculdade de Design de Moda da Univille.

Se os ventos não mudarem, isto se realizará em dezembro próximo. É quando ela deve abrir o coração para gritar novamente, do mesmo jeito que gritou há quatro anos quando se descobriu aprovada no vestibular. 

— Eu estava desde 1998 fora da sala de aula. Estudei sozinha em casa, com a minha filha ajudando. E meu marido apoiando, mas achando que eu não ia conseguir — conta Darlene.

Quando o primeiro desafio foi vencido, a dona de casa precisou superar outro: em pleno 2010, nenhum professor aceitaria trabalhos escritos à mão, nem as pesquisas poderiam contar apenas com livros e revistas. Mas Darlene ainda não sabia nem ligar o computador. Com coragem, ela seguiu em frente nos estudos e, entre aulas de estética, desenho e estamparia, adquiria os conhecimentos que a rotina até então não permitira que fizessem parte de sua realidade.

— Eu me lembro de quando a Darlene, muito curiosa, veio me perguntar como fazia para ingressar na faculdade. Ela se preocupava com a mensalidade, mas garanti que, quem precisava mesmo, conseguia bolsa de estudos. No ano seguinte, ela já era caloura — conta a professora Elenir Morgenstern.

Quando fez a pergunta, Darlene era uma das mulheres contempladas pelo projeto Ama Viva, para as remanescentes do programa básico de costura Sempre Viva. Apesar do talento como artesã, só fazia feira para os conhecidos. Senão, trabalhava como doméstica e diarista, sempre aliando ao tempo que dedicava aos dois filhos — o mais velho nasceu logo depois do casamento, aos 17 anos, quando ela ainda estava no 2º ano do Ensino Médio. O contato com professores e laboratórios da universidade instigaram a mulher que havia sido uma jovem apaixonada pelos estudos.

— Quando terminar a faculdade, quero fazer pós em História da Arte, algo assim. Me envolver mais com este lado da questão artesanal e ter certeza do que estou falando — afirma.

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