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Cultura03/09/2016 | 07h31

Museu de Arte de Joinville celebra 40 anos de criatividade com exposições

Para comemorar o aniversário do MAJ, seis mostras que valorizam a história e acervo do museu abrem a partir deste sábado

Museu de Arte de Joinville celebra 40 anos de criatividade com exposições Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Casa de Ottokar Döerffel, casa do primeiro prefeito de Joinville, abriga hoje o museu joinvilense Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS

Grande figura da história de Joinville, Ottokar Döerffel teve destacada atuação em múltiplas áreas do cotidiano da cidade na segunda metade do século 19, e a cultura era uma delas – foi, por exemplo, o primeiro diretor-artístico da Sociedade Harmonia-Lyra. Portanto, o alemão teria se enchido de alegria se pudesse ver seu casarão, que construíra mais de um século antes, transformado em galeria de arte em 1976. Mais do que isso, o Museu de Arte de Joinville (MAJ) virou um dos mais importantes espaços expositórios do Estado, vitrine para trabalhos variados, principalmente de artistas locais. E são eles os personagens principais das comemorações de 40 anos do espaço, marcados pela abertura, neste sábado, de seis exposições.

Já historicamente valioso – seja pela arquitetura, seja pelo construtor ilustre, tanto que foi tombado em 2002 –, o casarão de Döerffel foi comprado pela Prefeitura nos anos 70. Diante dos apelos da classe artística, o governo municipal o converteu em museu em 1976.

– Antes, as exposições em Joinville eram esporádicas, em locais alternativos ou em espaços cedidos nas feiras de artes e flores – lembra Edson Machado, primeiro diretor do MAJ.

– Em 1971, com a realização da 1ª Coletiva de Artistas de Joinville, elas passaram a ser organizadas num calendário anual. Gradativamente, a coletiva virou a principal vitrine e o mais importante termômetro do movimento artístico da cidade. O MAJ surgiu da necessidade de crescimento desse processo.

Os primeiros anos do museu foram dinâmicos. Edson lembra que os artistas fizeram do MAJ atelier e ponto de encontro para troca de ideias, e que, além de exposições, o local sediou sessões de cinema, debates, apresentações musicais, de teatro e dança, lançamento de livros e até desfiles de moda. Lá, críticos se reuniam com os artistas locais para analisar suas obras e convidá-los a expor pelo País. O fervilhante cenário se intensificou com um bar montado no porão da casa.

A ebulição constante das artes visuais joinvilenses manteve o museu como ponto de referência, tanto que a Coletiva de Artistas faz dele sua casa até hoje. O importante evento acontece nos anexos 1 e 2, na Cidadela Cultural, incorporados ao MAJ em 2001. Porém, nem só de exposições vive o MAJ: o papel de abrigo, conservação e estudo de obras de arte se expressa nos mais de dois mil volume da Biblioteca Harry Laus e nas mais de mil peças do acervo.

– O MAJ mantêm em seu patrimônio uma invejável reserva técnica, com obras de diferentes fases que transitam do clássico ao contemporâneo. Por isso e por muito mais, ele não é só mais um museu: é, por excelência, uma casa voltada às artes. Além disso, o MAJ foi a primeira escola de expoentes de nossa artes como impulsionadora de novos talentos – destaca Marina Mosimann, que dirigiu o museu por quase dez anos, em duas gestões.

Diretor do espaço desde fevereiro de 2013, Marcos Rück considera o MAJ “um tesouro da cidade e uma referência nas artes visuais do Estado, que está galgando credibilidade nacional”. Em seus planos estão expor ainda mais o acervo e incrementar a presença de artistas renomados e emergentes nas artes visuais contemporâneas brasileiras.

– Como artista visual e gestor cultural, vejo o MAJ como peça resistente de nosso desenvolvimento cultural. Seu espaço e sua história integram um amplo espectro urbano da cidade, criando um corredor de cultura e lazer com a Cidadela Cultural, o Instituto Internacional Juarez Machado, a Casa da Memória, o Museu Arqueológico de Sambaqui, o Arquivo Histórico, a Casa da Cultura, a Escola Bolshoi e o Centreventos Cau Hansen – nomina Edson Machado.

O quê: 40 anos do Museu de Arte de Joinville (MAJ).
Quando: sábado, às 16 horas.
Onde: rua 15 de Novembro, 1.400, América. De terça a domingo, das 10 às 16 horas.
Quanto: gratuita.

Exposições comemorativas
(até 27 de novembro)

O Mérito de Cada um – Homenagem - Obras de Mario Avancini, Elke Hering e Martinho de Haro, que expuseram na inauguração do MAJ, junto a trabalhos dos filhos, artistas visuais.

Antonio Mir, o Espanhol Joinvilense – Exposição com obras do acervo do MAJ, de colecionadores particulares e desenhos recentes do artista, além de um inédito autorretrato, pintado em 1966.

COLETIVA – 11 PIONEIROS – Albertina Ferraz Tuma, Antonio Mir, Edson Busch Machado, Hamilton Machado, Índio Negreiros da Costa, Luiz Henrique Schwanke, Maria Angelina Keller, Mario Avancini, Nilson Delai, Odil Campos e Victor Kursancew, artistas da 1ª Coletiva de Artistas de Joinville, em 1971.

Fragmentação da Paisagem Cultural - Exposição a partir de projeto educativo realizado pelo MAJ em parceria com a Escola de Educação Básica Osvaldo Aranha e o artista visual Marc Engler.

Da Casa de Döerffel ao MAJ - Entre outras coisas, o visitante verá reproduções da planta original da casa desenhada por Ottokar Döerffel e dos projetos de readequação para a instalação do museu.

Pátio das Esculturas - Humanização e revitalização do pátio interno da casa-sede.

Fragmento MAJ – Mostra que abre no dia 17, no anexo 1, com obras doadas ao acervo do MAJ entre 2013 e 2016.

Catálogo eletrônico 1976 – 2016 - Pesquisa sobre a memória do MAJ que sairá em novembro.

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