Simone Gehrke: Linha do tempo - Anexo - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônicas do Anexo29/11/2016 | 08h01

Simone Gehrke: Linha do tempo

"Já que a vida é finita (pelo menos por enquanto), outra questão é se há uma quantidade de pontos que, quando atingida, limite a existência."

Simone S. Gehrke
Simone S. Gehrke

simoneg@edmlogos.com.br

Tem certas frases que nos remetem a uma imagem tão forte, que temos vontade de viajar por suas muitas possibilidades. Topei com uma dessas na semana passada, enquanto lia o livro Entre a Glória e a Vergonha, memórias do consultor de imagem Mário Rosa. “O tempo é uma linha que precisamos viver para conectar os pontos”.

Ligar os pontos nos livros de atividades era uma tarefa que eu apreciava quando criança. Não pela dificuldade, praticamente inexistente, já que a sequência dos pontos era indicada pela ordem crescente dos números que os acompanhavam. A magia estava em descobrir uma imagem que já estava ali, camuflada para os olhos, esperando que uma mão generosa lhe garantisse o direito à existência.

Fazer as vezes de artista para alguém que não domina as habilidades do desenho, como eu, é motivo de satisfação em dobro. Se o tempo é uma linha que se forma a partir da ligação entre os pontos, os traços iniciais são daqueles que nos trouxeram à vida — ou de alguém de extrema confiança por eles designado. Aos poucos, ganhamos firmeza nas mãos e esperteza no espírito para fazer nossas primeiras tentativas em relação ao tempo, começando em coautoria com nossos mentores. Até que vamos evoluindo e acabamos por conquistar a perícia necessária para decidir a forma reta ou curva de nossos traços, a distância que pretendemos percorrer entre um ponto e outro e a direção que nos parece mais indicada a cada momento.

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Mas o ser humano, competitivo e curioso, logo quer adivinhar com quantos pontos se faz uma vida. E mais: quais são as variáveis para ocupar um espaço de destaque no ranking do tempo? O volume de pontos colecionados ao longo da trajetória? As formas ousadas que surgem a partir de suas conexões?

Já que a vida é finita (pelo menos por enquanto), outra questão é se há uma quantidade de pontos que, quando atingida, limite a existência. Se assim for, por meio da velocidade mais suave em conectarmos os pontos também é possível ampliá-la? Como a linha do tempo é traçada às cegas, há sempre uma apreensão em relação à figura que estamos construindo. Ela será do nosso agrado? De certeza, apenas que não haverá chance de retorno. Melhor apostar na qualidade de cada traço, acreditando que o todo fará jus à soma de suas partes.

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