Simone Gehrke: Epitáfio - Anexo - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônicas do Anexo08/11/2016 | 07h01

Simone Gehrke: Epitáfio

"Às vésperas de deixar a vida para ingressar na história, Wilder/Wonka mais uma vez colocou o personagem acima do ator"

Simone S. Gehrke
Simone S. Gehrke

simoneg@edmlogos.com.br

Os cemitérios ainda estavam coloridos pelos milhares de vasos de flores recebidos pelos entes queridos no dois de novembro, quando me deparei com uma reportagem em memória ao ator Gene Wilder, o imbatível Willy Wonka da versão original de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", falecido em 29 de agosto, aos 83 anos de idade.
A força penetrante dos olhos azuis de Wilder/Wonka, na foto que ilustrava a matéria da revista "Ler & Cia." (edição novembro/dezembro de uma publicação produzida pelas Livrarias Curitiba), trouxe de volta uma das mais saudosas lembranças da minha juventude. Da pioneira madrugada em claro, quando descobri as vantagens de trocar os apelos de uma noite bem-dormida pelas fantasias de Roald Dahl, à primeira vez que assisti ao filme protagonizado por Wilder, personificando de forma fabulosa o roteiro do livro que me fez mergulhar insone em um universo mágico e encantador. E que, no decorrer de uma longa trajetória, contribuiu para formar em mim um incondicional apreço pelo universo das histórias, nas suas mais diversas plataformas.

Como os mensageiros das boas recordações têm o dom intrínseco de conquistar a simpatia daqueles que cruzam o seu caminho, avancei de forma voraz na leitura do texto que fazia uma homenagem póstuma ao ator. Fiquei comovida com uma de suas derradeiras preocupações, respeitada pela família e pelas pessoas mais próximas: não divulgar sua fragilidade diante das complicações causadas pelo mal de Alzheimer, porque não queria que o público perdesse a alegria ao saber de sua degradada condição de saúde. Eis um ideal altruísta que mostra a grandeza que uma parte dos seres humanos é capaz de alcançar. Aqueles, claro, que, como os bons vinhos, tornam-se melhores à medida que se deparam com a sabedoria e as agruras do avanço da idade.

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Às vésperas de deixar a vida para ingressar na história, Wilder/Wonka mais uma vez colocou o personagem acima do ator, como tão bem definiu o crítico de cinema Robledo Milani ao comentar sua carreira artística. Sem dúvida, algo digno de um epitáfio. Ao melhor estilo de "O Pequeno Príncipe" (uma obra pela qual muitos se encantam e citam, embora poucos realmente se aprofundem e conheçam). Na memória de Wilder/Wonka jaz, de fato, um homem que sente-se "eternamente responsável por aqueles que cativa".

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