Carlos Adauto: Grata surpresa literária de Joinville - Anexo - Cultura e Variedades - A Notícia

Versão mobile

Crônicas do Anexo 16/11/2016 | 07h31

Carlos Adauto: Grata surpresa literária de Joinville

"Era um mulato atarracado que vivia de fazer carretos das compras à casa dos fregueses e nunca usara calçados de qualquer espécie"

Não são muitos os que homenageiam seus ascendentes, traçando-lhes a biografia, fazendo pesquisas demoradas e, não raro, custosas. E até as publicando em bem-cuidadas edições. Há, as mais das vezes, a reunião dos familiares em álbuns de mera recordação do encontro, elaborados com as informações dos próprios interessados.
Não é o caso de "Espelho da Vida, uma Saga em Dois Continentes", já pronta em três volumes, mas ainda não dada a lume por sua autora que, assim, quis prestar uma homenagem a um dos seus avós, diretamente ligado a Joinville, onde foi empreendedor com a têmpera de um Abraham Medina ("Quando as Noites Eram de Gala", biografado de João Estrella de Bettencourt, ótima leitura!), pois, vindo de uma pobre aldeia portuguesa de Trás-os-Montes – em 1884, conquistou o Brasil e grande parte do continente sul-americano, onde o que criou em química e farmácia é, até, hoje, insuperado. E inspirador de profissionais dos ramos para a criação de outros laboratórios de conceito, a exemplo do Catarinense e do Rauliveira.

Confira notícias de Joinville e região.

Mas este avô tão inspirador, aqui, constituiu família, mesmo tendo retornado à sua aldeia natal – Samões – esquecida em Trás-os-Montes, que recebeu benefícios do seu filho vencedor e próspero em outro continente, para onde se aventurou cheio de confiança nas suas próprias qualidades pessoais e na energia quântica superior. A autora e neta não é uma literata, embora, por sua esmerada educação e cultura humanística, haja realizado, talvez, o sonho máximo de gratidão ao seu ancestral, revelando-nos uma daquelas personalidades que colaboraram na evolução da Colônia Dona Francisca (tão bem observada por Karl Konstantin Knüppel no seu
"O Observador à Margem do Rio Mathias") à Joinville de hoje e do futuro.

Grato pela agradável surpresa, sra. Maria de Lourdes Dória Duarte. Que a capacita a qualquer instituição literária, inclusive pelo seu inestimável exemplo familiar nos tempos atuais. E, sugestão, que a nossa biblioteca municipal (que já perdeu um busto) receba exemplares da obra. Assim como o Arquivo Histórico.

A NOTÍCIA

 
 

Siga A Notícia no Twitter

  •  
A Notícia
Busca
clicRBS
Nova busca - outros