Carlos Adauto: Fausto - Anexo - Cultura e Variedades - A Notícia

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Crônicas do Anexo 05/10/2016 | 08h01

Carlos Adauto: Fausto

"Não bastasse uma tão difícil e trabalhosa versão ao nosso vernáculo, preocupou-se por manter as rimas (ou as criando com sinônimos) para conservar o sentido e o aspecto poético usado pelo imortal vate."

Reconhecido como uma obra-prima literária universal, inúmeras traduções de "Fausto" foram realizadas a muitas línguas. Em português, a primeira tradução foi feita em verso pelo diplomata português Agostinho de Ornelas na década de 1860. No Brasil, destacam-se as traduções de Sílvio Meira, publicada em 1974, e a de Jenny Klabin Segall, de 1981. Encoberto por sua inefável modéstia e a característica simplicidade, verdadeiro personagem do ensaio "O Poder dos Quietos", de Susan Cain, editado no Brasil pela Agir, o desembargador catarinense Raoul Albrecht Buendgens fez uma preciosa tradução, impressa pela Editora Garapuvu, de Florianópolis.

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Nosso provincianismo cultural, contra o qual se batem as academias de letras e de artes, lideradas pela Catarinense, impediu que tal tradução, não obstante o seu valor e perfeição, ganhasse as mídias culturais brasileiras, somando-se às citadas qualidades pessoais do tradutor conterrâneo. Conhecendo o trabalho de mestre do Dr. Raoul, como membro de três academias em Santa Catarina, senti-me na obrigação de publicitar o imenso desempenho tradutório de Fausto realizado aqui em Joinville por quem não é profissional, mas modestamente culto e apaixonado pelas letras eternas.

Não bastasse uma tão difícil e trabalhosa versão ao nosso vernáculo, preocupou-se por manter as rimas (ou as criando com sinônimos) para conservar o sentido e o aspecto poético usado pelo imortal vate. Teria sido muito mais fácil uma tradução em prosa. Os que já a fizeram assim avaliam melhor a do Dr. Raoul. Em pesquisa sobre traduções de "Fausto", contam-se-as pelos dedos da mão. E esta edição é de 2002! Donde o nosso empenho particular e sem maior interesse do que o de tornar conhecido este impagável trabalho do nosso tradutor conterrâneo. Função que sempre deve ser a de um acadêmico, máximo se domiciliado e vizinho a ele. Quanto mais a de quem é triacadêmico, como sucede comigo, frequentando os sodalícios aqui, em São Francisco do Sul e em Florianópolis por puro amor à cultura. Especialmente agora, aproveitando ser jubilado.

E por haver ganho o livro "Jung — É a Aurora da Maçonaria", que deve ser lido com "Fausto" à mão. Como Goethe mesmo disse: "Edel sei der Mensch hilfreich und gut"!

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