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Cultura17/05/2014 | 13h50

Museu de Arte de Joinville é devolvido à comunidade após três anos de fechamento

MAJ será reaberto neste domingo. Outras restaurações devem ser feitas durante o ano

Museu de Arte de Joinville é devolvido à comunidade após três anos de fechamento Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Cobertura recuperada e o jardim revitalizado são as principais mudanças feitas pela Fundação Cultural Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Aos poucos, os cômodos do Casarão Ottokar Doerffel, que neste ano completa 150 anos, voltam a ter movimento de joinvilenses e turistas. Com reabertura marcada para este domingo, o Museu de Arte de Joinville (MAJ) será devolvido à comunidade após três anos de fechamento.

A cobertura recuperada e o jardim revitalizado são as principais mudanças feitas pela Fundação Cultural para que o imóvel volte a receber exposições e eventos.

As atividades da sede do MAJ precisaram ser interrompidas em agosto de 2011, após constatado o péssimo estado da cobertura. Neste período, apenas os dois anexos do museu na Cidadela Cultural Antarctica continuaram em atividade.

— Nossa prioridade dentro da Fundação Cultural era reabrir os espaços culturais que estavam fechados. Primeiro, foi o Museu da Bicicleta; depois, a Casa da Cultura e agora o Museu de Arte, que é a casa mais antiga da cidade — destaca o vice-prefeito e presidente da FCJ, Rodrigo Coelho.

Além da cobertura e do jardim, o MAJ recebeu pintura nova e manutenção elétrica e hidráulica. Segundo o presidente da FCJ, são medidas básicas para que a unidade volte a fazer parte do circuito cultural e turístico da cidade. Outras restaurações devem ser feitas ao longo do ano, mesmo com a unidade de portas abertas.

Os cômodos anexados ao fundo do casarão, bastante afetados pelos anos de uso e umidade, e que abrigavam o setor administrativo do museu, serão recuperados e adaptados para servirem de copa e banheiros acessíveis. Por enquanto, a administração do MAJ continuará atendendo na Cidadela, onde também foi instalada uma reserva técnica de obras do museu em 2012.

— O que precisava ser feito de mais urgente para reabrir o MAJ, nós concluímos. O que resta são problemas pontuais — avalia Rodrigo Coelho.

Duas exposições à espera dos olhares

Duas exposições foram montadas na sede para receber os visitantes neste domingo, Dia Internacional dos Museus. O casarão passa a abrigar uma coleção de obras do acervo selecionadas pelo coordenador da unidade, Marcos Rück. São produções de artistas brasileiros consagrados, como Lygia Clark.

A artista, que hoje tem sua carreira revisitada no Museu de Arte Moderna de Nova York, faz parte da coleção de Joinville com Envolvendo, Envolvido (1964). A escultura móvel foi doada por Harry Laus, que dirigiu o MAJ na década de 80 e hoje é um dos destaques do acervo. A mostra Máster Brasileiros conta com obras de outros 29 ícones e continua aberta para visitas até 31 de agosto.

Em comemoração aos 150 anos de construção do casarão, o MAJ também preparou uma exposição no porão para relembrar, a partir de fotos, documentos e objetos, detalhes que fazem do imóvel referência no Estado do ponto de vista histórico e arquitetônico. Casa de Ottokar Doerffel: Templo e Museu foi elaborado com o auxílio do historiador Dilney Cunha, coordenador do Museu de Imigração e Colonização.

Paralelamente às mostras, também será possível que a comunidade participe, por meio de oficinas de capacitação e visitas guiadas, das pesquisas arqueológicas que fazem parte do Projeto Canteiro de Obras do MAJ: Arqueologia, Arte, Arquitetura e Ofício. Durante o processo de restauração, serão feitas escavações para levantamento de mais informações sobre a construção.

Casa de imigrante alemão

A casa começou a ser construída em 1854, logo depois da chegada do alemão Ottokar Doerfell à Colônia Dona Francisca. Durante dez anos, o imigrante trabalhou na construção, importando a maioria da matéria-prima da Europa, como as lajotas da varanda, tijolos e madeiras. Todo o projeto foi pensado pelo proprietário, que inclui detalhes simbólicos que remetem à filosofia maçônica.

Fugindo de confusões políticas, Ottokar chegou ao Brasil com a mulher, Ida, e aqui participou do surgimento de uma série de grupos culturais, da fundação da primeira loja maçônica, da Sociedade Harmonia-Lyra e criou o primeiro jornal da cidade, o Kolonie-Zeitung (Jornal da Colônia), que circulou durante 80 anos. Também assumiu o cargo de tesoureiro da Diretoria da Colônia e, posteriormente, ao de diretor interino, além de ter sido cônsul da Alemanha.

Ottokar viveu no casarão até a sua morte, em 1906. Como não deixou filhos, o imóvel ficou de herança para a família Barthol, primos dos Doerffel, até ser vendida para os Lepper. Quando a última proprietária faleceu, a casa foi desapropriada pela Prefeitura.

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