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Arte conceitual25/10/2013 | 12h16

Diretoras do Instituto Schwanke falam sobre a importância da formação artística

Participantes do evento que trouxe o americano Joseph Kosuth a Joinville também avaliam trabalho da entidade

Diretoras do Instituto Schwanke falam sobre a importância da formação artística Paulo de Araújo/Divulgação
Americano Joseph Kosuth falou a quase 500 pessoas de todo o Brasil Foto: Paulo de Araújo / Divulgação

Quando agosto chegava perto do fim, a ansiedade só aumentava. No dia 29 daquele mês, veio a Joinville, aos 69 anos, o americano Joseph Kosuth.

Na palestra sobre o impacto da arte conceitual na atualidade, o artista convidado pelo Instituto Luiz Henrique Schwanke falou a quase 500 pessoas de todo o Brasil no Teatro Juarez Machado e deixou as impressões mais positivas possíveis na cidade.

A vinda de Kosuth simboliza um marco para a propagação do trabalho do instituto e celebra os dez anos da entidade.

Para comemorar a data, o instituto elaborou o projeto Arte Conceitual: Realidade e Consistência, cuja aprovação no Mecenato do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec) possibilitou a captação de R$ 40 mil para sua realização. A proposta inclui, ainda, outras cinco palestras que acontecerão até maio de 2014, com convidados ainda não definidos.

Os encontros terão como público-alvo professores das redes de ensino municipal e estadual, professores e alunos universitários vinculados aos cursos de artes visuais, design, arquitetura, comunicação social, entre outros, interessados em história da arte e os associados ao Instituto.

O objetivo, com isso, é colaborar para a formação artística, cultural e pedagógica, democratizando o conhecimento em um contexto escolar.

Alena Marmo e Letícia Mognol, diretoras culturais do instituto, avaliam o evento que trouxe Kosuth ao município como extremamente proveitoso e apostam na construção do Museu de Arte Contemporânea Luiz Henrique Schwanke.

— Ele se mostrou generoso e proferiu uma palestra de grande qualidade pelas reflexões profundas acerca de sua produção. Foram quase 500 ingressos vendidos, teatro lotado, mas é claro que, em nossa avaliação, alguns aspectos precisam ser melhorados. Afinal, foi o primeiro evento internacional do instituto. Compreendemos o museu como uma instituição transformadora e agente de iniciativas inovadoras, não somente na divulgação de seu patrimônio cultural, mas também como ferramenta de dinamização econômica e social da cidade e seu entorno.

Confira alguns depoimentos de pessoas que participaram da palestra de Kosuth.

PROPOSTA OUSADA

Por Sylvia Furegatti, docente do Instituto de Artes da Unicamp, pesquisadora e atualmente coordenadora da graduação em artes visuais

No círculo de comunicações do Instituto de Artes da Unicamp, onde trabalho, o informe da palestra foi amplamente divulgado. Quando soube dela, fiquei muito empolgada para ouvir Kosuth – artista por quem tenho infinita admiração pelo legado deixado para nosso trabalho no mundo contemporâneo. Boa parte das ideias que adotamos hoje, em arte, advém dos conceitos, dos posicionamentos e dos procedimentos criativos anunciados e praticados por ele.

Por isso, rapidamente fiz a inscrição online e aguardei pela confirmação para comprar a passagem aérea para Joinville especificamente para esse evento. Somente depois disso é que fui conhecer o Instituto Schwanke e o projeto para o novo MAC.

Uma das situações que me fizeram efetivar a viagem para Joinville foi pela pontualidade dessa participação do artista. No meio tempo, à espera da confirmação de vaga, investiguei se ele viria para outros locais com a mesma ou próxima palestra e, quando descobri que seria apenas em Joinville, achei a proposta ainda mais ousada e excitante por condicionar-se fora do usual eixo comum das grandes performances artísticas que tomam acento nas capitais do eixo Rio-São Paulo.

Conheço o trabalho de Schwanke desde que dirigi o Museu de Arte Contemporânea de Americana, em meados da década de 1990. O museu tem uma bela obra desse artista em seu acervo, resultada de seleção e premiação de Salão de Arte. Usualmente, era uma das obras que eu solicitava para exposições anuais do acervo.

ARTISTA GENIAL

Por Fernanda Medina, médica psiquiatra, historiadora da arte doutoranda em História da Arte

Minha linha de pesquisa é em arte contemporânea e psicanálise. Escrevo sobre Kosuth desde o mestrado, defendido em 2005, na Universidade Federal de Minas Gerais. Ele tem um importante trabalho desenvolvido sobre os textos de Freud e isso me motivou a continuar minha pesquisa em cima de seu trabalhos.

Além disso, ele pode ser considerado um dos fundadores da arte conceitual, com uma importante produção teórica que serve de marcos para o movimento. Não é um trabalho simples e nem de consumo fácil mas, uma vez que é compreendido, não deixa dúvidas quanto à genialidade do artista.

Fui a Joinville só para o evento promovido pelo Instituto Schwanke, sozinha. Não conhecia o instituto. Fui contactada por uma psicanalista de Joinville, Sandra Tireck, que viu um fragmento do meu trabalho, apresentado num simpósio de arte e psicanálise, no Rio de Janeiro. Ela me convidou para ir a Joinville para a palestra de Kosuth e eu vibrei. Foi uma grande oportunidade pra mim e para quem se dedica à arte contemporânea no país. Um passo ousado do Instituto Schwanke.

Acho importante a organização deste tipo de evento de tal notoriedade fora do eixo Rio-São Paulo que, infelizmente, ainda domina o circuito de arte no país.

UM ARTISTA-FILÓSOFO

Por Sandra Tireck, sócia do Instituto Schwanke

Sou natural de Joinville e sócia do Instituto Schwanke desde a sua fundação. Assim, estou sempre acompanhando a programação dos eventos. Logo que eu soube da vinda de Joseph Kosuth a Joinville, fiquei muito entusiasmada, por diversas razões: primeiramente, sou ligada em arte através da história de meu pai. Filho de violinista, cursou a faculdade de Belas Artes em São Paulo e se tornou pintor e escultor não comercial.

Sou psicanalista e, na minha especialização, trabalhei psicanálise e filosofia da linguagem com ênfase em Wittgenstein, filósofo amplamente utilizado por Kosuth, para fundamentar seus pontos de vista a respeito da implicação da linguagem na arte conceitual. O encontro com esse artista/filósofo foi uma oportunidade ímpar, imperdível, pela oportunidade de interagir em todos esses campos com ideias atuais.

Divulguei para vários psicanalistas que trabalham arte e psicanálise no Brasil e trouxe a Joinville a colega Fernanda Medina – que realizou seu mestrado em Kosuth, arte conceitual e psicanálise e continua sua pesquisa no doutorado. Também já trabalhei arte e psicanálise utilizando a vida e obra do Luiz Henrique Schwanke, tendo apresentado este estudo num evento nacional no Rio de Janeiro.

PRESERVAÇÃO CONCEITUAL

Por Giovanna Fiamoncini, artista plástica

Cumprindo desde o começo com o objetivo de Museu de Arte Contemporânea, o instituto serviu como um difusor de conhecimento. Os projetos tinham sempre em mente essa finalidade e trouxeram para nossa cidade palestras de artistas, curadores, críticos de arte reconhecidos nacionalmente para explicar os conceitos e possibilidades da arte além de propor exposições de qualidade.

Como resultado dessas exposições e críticas, o instituto criou materiais de pesquisa sólidos como livros e até vídeos sobre a vida e obras de Schwanke e sobre arte contemporânea comentada por artistas e críticos.

Essas ações mostraram que existe muito mais do que havíamos experimentado em termos de suporte, criação e erudição. As novas possibilidades mudaram a cara da produção artística de Joinville, influenciando esteticamente e conceitualmente.

Mudaram também a forma com que pessoas que nunca haviam tomado contato com esse tipo de arte a enxergaram. De repente, não era algo tão absurdo e distante assim de nossa realidade.

Senti isso na última palestra realizada pelo instituto, que trouxe Joseph Kosuth. Pessoas de todos os lugares do Brasil se reuniram para apreciar a palestra e, assim que foi aberta a possibilidade de perguntas ao artista, vimos que a plateia não era só formada por produtores culturais ou artistas, mas também por psicólogos, jornalistas, engenheiros – apreciadores de arte com profissões não relacionadas às artes.

O instituto mudou principalmente a forma com que passamos a ver a preservação, tanto física quanto conceitual, do que é produzido. Até então, eu não guardava nenhum registro com qualidade das obras e exposições que participei e, pra ser sincera, destruí a maioria dos trabalhos que produzi sem ter um registro decente.

Clique aqui e confira a página especial criada para a série, com linha do tempo, vídeos e galerias de imagens.

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